Tribuna Expresso

Perfil

Football Leaks

Aníbal Pinto critica omissão de emails e SMS na acusação do processo de Rui Pinto

Advogado, acusado de co-autoria da tentativa de extorsão à Doyen, sustentou que apenas se disponibilizou para ajudar Rui Pinto caso o que estivesse em causa fosse um contrato de prestação de serviços à empresa

Miguel Prado

NUNO BOTELHO

Partilhar

O advogado Aníbal Pinto, acusado de co-autoria da tentativa de extorsão à Doyen, juntamente com Rui Pinto, centrou as suas primeiras declarações no julgamento que esta sexta-feira arrancou na omissão de emails e SMS por parte do Ministério Público.

Segundo Aníbal Pinto, a acusação usou várias SMS e e-mails entre si e o advogado Pedro Henriques, representante de Nélio Lucas (que era em 2015 presidente da Doyen), mas omitiu outras, o que leva o arguido a acusar o MP de apenas contar "meia verdade" em vários pontos.

Aníbal Pinto sustentou que apenas se disponibilizou para ajudar Rui Pinto caso o que estivesse em causa fosse um contrato de prestação de serviços à Doyen.

"Quando vi alguém a negociar entre meio milhão e um milhão de euros vi logo que era uma treta. Quando se negoceia pede-se um número. Ou é meio milhão ou é um milhão!", afirmou.

Perante o coletivo de juízes Aníbal Pinto defendeu que só esteve disponível para representar Rui Pinto numa negociação de um contrato de prestação de serviços. "Estou disponível para aconselhar juridicamente, mas não é para ajudar a cometer crimes", reiterou.

Aníbal Pinto acusou o MP de não incluir várias comunicações, de forma a sustentar o seu envolvimento criminoso, nomeadamente nos pontos 125 e 126 da acusação. "Isto está documentado no email que entreguei ao MP e que, não sei porquê, não consta do processo", criticou.

E também reafirmou que o seu envolvimento no processo resultou da pressão do advogado de Nélio Lucas para que se reunissem perto de Lisboa, num encontro que seria gravado pela PJ.

Também sobre essas conversas Aníbal Pinto defendeu em tribunal que a acusação do MP omitiu várias comunicações que, segundo afirma, mostram que foi o lado de Nélio Lucas e Pedro Henriques que o instigou a participar nas negociações que levariam a que fosse acusado de tentativa de extorsão à Doyen.