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Football Leaks

Aníbal Pinto: “Rui Pinto nunca me deu a entender que estivesse a brincar, agora se usou isso para apalpar a Doyen tem de lhe perguntar”

Antigo advogado do autor de Football Leaks declarou em tribunal ter levado a sério o plano para que Rui Pinto fosse contratado pela Doyen

Miguel Prado

Aníbal Pinto, à direita, na chegada ao julgamento em que é acusado de co-autoria, com Rui Pinto, de tentativa de extorsão à Doyen

NUNO BOTELHO

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Anibal Pinto, arguido no processo Football Leaks, defendeu esta terça feira em tribunal que em 2015 participou num processo legítimo de negociação de um contrato de prestação de serviços entre Rui Pinto e a Doyen. "Rui Pinto nunca me deu a entender que estivesse a brincar, nem eu lhe permitia isso. Agora se usou isso para apalpar a Doyen tem de lhe perguntar a ele", afirmou o antigo advogado de Rui Pinto, quando questionado pela advogada da Doyen, Sofia Ribeiro Branco.

Em causa está a alegação de que Rui Pinto e Aníbal Pinto terão em 2015 tentado extorquir a Doyen num valor entre meio milhão e um milhão de euros. Rui Pinto sempre defendeu que não queria esse dinheiro, apenas saber até onde a empresa de Nélio Lucas estava disposta a ir para proteger os seus segredos.

Aníbal Pinto também vem defendendo que não participou numa tentativa de extorsão, mas sim na negociação de um contrato de prestação de serviços entre a Doyen e Rui Pinto, antes de essa negociação cair por terra, depois de um encontro entre Nélio Lucas e Aníbal Pinto, a 21 de Outubro de 2015, ter sido vigiado pela Polícia Judiciária.

Na segunda sessão do julgamento, Aníbal Pinto reiterou achar "normal" que uma empresa alvo de um ataque informático quisesse contratar alguém para se defender, reafirmando qur nessa negociação contratual Rui Pinto lhe terá dito que pretendia receber 20 mil euros por ano, mas Aníbal defendeu 25 mil.

A advogada da Doyen questionou-o sobre quem teve a ideia de que o dinheiro dessa eventual prestação de serviços fosse pago através de uma sociedade offshore em Malta ou Chipre, conforme noticiado no mês passado pelo jornal "Público". "Se ele tivesse uma offshore problema dele. A ideia foi dele", respondeu Aníbal Pinto.

O advogado também foi questionado sobre se achava normal a versão preliminar do contrato entre a Doyen e Rui Pinto ser negociada sob o anonimato deste último, que então comunicava com a identidade Artem Lobuzov. "Não era normal que se identificasse?", perguntou Sofia Ribeiro Branco. "Não era normal, era obrigatório. O Rui Pinto pediu anonimato para negociar o contrato. Se se realizasse obviamente era o Rui Pinto que vinha assinar", respondeu Aníbal Pinto.