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Football Leaks. “Não é fácil dizer se é obra de uma pessoa ou de várias”, diz inspetor da PJ

José Amador admitiu em tribunal a possibilidade de os ficheiros encontrados nos discos de Rui Pinto terem sido obtidos por várias pessoas

Miguel Prado

Rui Pinto no julgamento em que é acusado de 90 crimes, incluindo um de tentativa de extorsão à Doyen, no âmbito das publicações feitas entre 2015 e 2016 no blog Football Leaks

NUNO BOTELHO

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O inspetor José Amador, da Polícia Judiciária, admitiu esta quinta-feira em tribunal que o Football Leaks poderá ter sido obra de vários autores e não apenas de Rui Pinto.

"Não é fácil dizer se isto é obra apenas de uma pessoa ou de várias", declarou o inspetor em resposta a uma das juízas do processo, admitindo como possível que os ataques informáticos e a extração de e-mails e documentos de várias entidades tenham sido levados a cabo por um coletivo de intervenientes.

Ainda assim, José Amador notou que a informação encontrada nos discos apreendidos a Rui Pinto em Budapeste revela "um modus operandi específico", com acessos frequentes durante a madrugada e "uma lógica de alvo direcionada", que envolveu primeiro entidades ligadas aos futebol, alargando depois o espectro para sociedades de advogados, sistema da justiça, entre outros alvos.

"Que tem a chancela de uma pessoa, tem. Se teve a colaboração de outros, não sei dizer", declarou o inspetor no julgamento de Rui Pinto.

José Amador já foi interrogado pela procuradora Marta Viegas, que representa o Ministério Público, e por parte dos advogados dos assistentes. Continuará a ser ouvido durante a tarde.