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Polícia Judiciária não detetou rendimentos ilícitos de Rui Pinto

Inspector José Amador concluiu esta quinta-feira o seu depoimento no processo de Rui Pinto, admitindo que o arguido negociava livros antigos, mas com rendimentos muito modestos

Miguel Prado

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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O inspector José Amador, da Polícia Judiciária, declarou esta quinta-feira em tribunal que da análise ao computador apreendido a Rui Pinto em Budapeste não detetou qualquer indício de rendimentos ilícitos por parte do arguido, que está a ser julgado por 90 crimes, incluindo um de tentativa de extorsão à Doyen.

"As nossas diligências passaram quase sempre pela identificação de contas bancárias associadas ao arguido e núcleo familiar. Não foram recolhidos elementos que permitissem detetar indícios ilícitos nos proveitos económicos do arguido. E em solo húngaro também não havia nada", afirmou o inspetor da PJ na oitava sessão do julgamento de Rui Pinto.

José Amador confirmou ter encontrado numa pen mensagens e anexos sobre a compra e venda de livros antigos, vários associados à segunda guerra mundial. Mas eram "valores muito modestos". "Se aquilo era a fonte de rendimento do arguido devia viver muito mal", comentou o inspetor.

A PJ também não detetou no material apreendido a Rui Pinto sinais de que este tivesse ou movimentasse contas em criptomoedas.

O inspetor também admitiu que em várias pistas seguidas pela PJ sobre eventuais outras abordagens de extorsão durante o Football Leaks nada levou a polícia a admitir como credíveis essas pistas. "Não só não eram ligadas ao arguido como não nos davam segurança de serem um indício sério ", declarou.

José Amador disse ainda em tribunal que a área em que Rui Pinto residia em Budapeste quando foi preso era "um bairro modesto".