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Football Leaks. O desconcertante Jesus: “Não sei o que estou a fazer, nem sabia que tinha conta de email, não sei se o Sporting a criou”

O treinador do Benfica esteve a testemunhar no processo 'Football Leaks', no qual o arguido Rui Pinto é acusado de ter divulgado o seu contrato com o Sporting

Gualter Fatia/ getty

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O treinador de futebol Jorge Jesus afirmou hoje em tribunal não saber bem porque estava a testemunhar no processo 'Football Leaks', no qual o arguido Rui Pinto é acusado de ter divulgado o seu contrato com o Sporting.

"Nunca foi coisa a que desse grande importância, nem sei o que estou aqui a fazer", afirmou o atual técnico do Benfica, durante a 14.ª sessão do julgamento do processo, que decorre no Tribunal Criminal de Lisboa.

Perante esta afirmação, o coletivo de juízes lembrou ao técnico, que teve dificuldade em precisar o período durante o qual orientou o Sporting, que foi arrolado como testemunha pelo Ministério Público, pela defesa e por assistentes.

Em tribunal, Jorge Jesus afirmou não saber que tinha uma conta de email no Sporting, à qual, segundo a acusação, Rui Pinto terá acedido de forma ilegal.

"Nem sabia que tinha conta de email no Sporting. Não sei se o Sporting me criou essa conta. Se o fez, eu não tinha conhecimento", disse Jorge Jesus, acrescentando: "Se usei [a conta]? Não, nem no Benfica, nem no Sporting."

O treinador, que esteve no Sporting entre 2015 e 2018, mas referiu ao coletivo ter orientado os 'leões' entre 2014 e 2016, referiu que a divulgação do contrato nunca o preocupou, porque não tem "nada a esconder".

"[A divulgação] Não me preocupou, não tenho nada a esconder, nem valorizei. Para mim, nunca criou instabilidade, e não estava ali nada que não fosse verdade. Não sei o que a divulgação causou ao Sporting, sou treinador de futebol", afirmou.

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Passavam 17 minutos das 5h de 29 de setembro de 2015 quando o blogue Football Leaks publicou a sua primeira mensagem para “divulgar a parte oculta do futebol”. As publicações que se seguiram tornaram Rui Pinto um dos alvos mais procurados da Polícia Judiciária e inimigo número um da Doyen. Começou tudo há precisamente cinco anos - e isto é o que mudou (ou nem por isso)

Rui Pinto, criador da plataforma eletrónica 'Football Leaks', através da qual foram divulgados milhares de documentos confidenciais do mundo do futebol e alegados esquemas de evasão fiscal cometidos em diversos países, está acusado de 90 crimes.

O arguido, de 31 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada.

Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.