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Football Leaks: “Quando o Sporting deixou de ter Rojo nem tinha pagado a prestação” e a “Doyen nunca perdeu dinheiro”, disse Nélio Lucas

“A Doyen não perdeu dinheiro. Com este tipo de negócios não perdia nunca”, atirou Nélio Lucas, em resposta sobre os riscos que recaíam sobre o fundo de investimento, sublinhando: “O risco da Doyen era o jogador não ser transferido e a valorização resumia-se ao juro, nunca mais de 10% ao ano”, acrescentou, após detalhar que a Doyen contratualizava a mesma percentagem de uma futura transferência em relação ao valor inicialmente investido

FOTO Stéphane Lagoutte/REA/4see

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O ex-administrador da Doyen Sports Investments, Nélio Lucas, revelou hoje no julgamento do processo ‘Football Leaks’ que o fundo de investimento alvo da alegada intrusão de Rui Pinto não perdeu dinheiro nos negócios feitos com os clubes.

Na 21.ª sessão do julgamento no Tribunal Central Criminal de Lisboa, o empresário, que está a ser ouvido na condição de testemunha, tem estado a explicar ao Ministério Público e ao coletivo de juízes os moldes da atuação da Doyen no mercado de transferências de jogadores, tendo assegurado que os tipos de contratos habitualmente estabelecidos com os clubes salvaguardavam o fundo de eventuais perdas de investimento.

“A Doyen não perdeu dinheiro. Com este tipo de negócios não perdia nunca”, atirou Nélio Lucas, em resposta sobre os riscos que recaíam sobre o fundo de investimento, sublinhando: “O risco da Doyen era o jogador não ser transferido e a valorização resumia-se ao juro, nunca mais de 10% ao ano”, acrescentou, após detalhar que a Doyen contratualizava a mesma percentagem de uma futura transferência em relação ao valor inicialmente investido.

CEO da Doyen entre 2011 e 2017, Nélio Lucas declarou que o fundo de investimento sediado em Malta “praticamente” não falava com os jogadores e que a “contraparte sempre foram os clubes”, recusando qualquer propriedade sobre os passes dos jogadores. Nesse sentido, observou que a Doyen preconizava contratos ‘TPI’ [third part investment] e não ‘TPO’ [third part ownership, na sigla em inglês], como veio a ser mais tarde proibido pela FIFA.

“Os jogadores nunca foram do fundo, eram dos clubes. Passavam a ser ativos dos clubes e os passes pertencem aos clubes. O nosso interesse era na revalorização, nós investíamos nos direitos económicos, que estavam associados ao direito federativo, o passe. O ativo é sempre do clube, nós temos a possibilidade de receber a valorização e o jogador não tinha qualquer obrigação contratual connosco”, vincou.

Diretamente questionado sobre a ligação ao Sporting e os negócios que existiram com o clube de Alvalade, nomeadamente dos jogadores Marcos Rojo e Zakaria Labyad, Nélio Lucas salientou que o emblema ‘leonino’ estava numa situação “extremamente complexa em 2012”, que “precisava de realizar capital” e que foi o Sporting, no tempo da presidência de Godinho Lopes, a procurar a Doyen para fazer negócios.

No caso em concreto de Rojo, que viria a originar um litígio entre o Sporting, já no mandato de Bruno de Carvalho, o antigo administrador da Doyen frisou que o fundo de investimento adiantou 75% do investimento de quatro milhões de euros na contratação ao Spartak Moscovo e que ficou responsável pelas três primeiras prestações, cabendo aos leões a quarta e última tranche. “Quando o Sporting deixa de ter o jogador nem tinha pagado a prestação”, notou.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.