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“Não fui eu que o fiz, não o assinei, não me recordo”, disse Nélio Lucas, questionado pelo advogado de Rui Pinto sobre negócios com FCP

O ex-presidente da Doyen, Nélio Lucas, disse esta terça-feira em tribunal não se recordar das circunstâncias e detalhes dos empréstimos que a Doyen fez ao Futebol Clube do Porto

Miguel Prado

Secretismo. Nélio Lucas na única vez em que se deixou fotografar nos escritórios da Doyen Sports Investments, em Londres

FOTO Stéphane Lagoutte/REA/4see

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O ex-presidente da Doyen, Nélio Lucas, disse esta terça-feira em tribunal não se recordar das circunstâncias e detalhes dos empréstimos que a Doyen fez ao Futebol Clube do Porto.

O advogado de Rui Pinto, Francisco Teixeira da Mota, questionou Nélio Lucas sobre o facto de o FCP ter contabilizado um empréstimo de 3 milhões de euros do Banco Carregosa, banco com o qual a Doyen trabalhava em Portugal, sendo que aquele valor coincidia com o de um empréstimo da Doyen aos dragões.

"Como é que a operação foi feita? Não me recordo", declarou Nélio Lucas durante o seu testemunho no julgamento de Rui Pinto.

"Teve intervenção direta neste empréstimo?", questionou Teixeira da Mota. "Não tive. Não fui eu que o fiz, não o assinei, não me recordo", respondeu Nélio Lucas.

Mais tarde, Teixeira da Mota questionou Nélio Lucas sobre um outro montante de 1,5 milhões de euros, com data de fevereiro de 2015, que a Doyen contabilizava nos seus documentos como um empréstimo ao FCP. "Tinha alguma coisa a ver com o empréstimo de 3 milhões?", questionou o advogado de Rui Pinto. "Não me recordo, não sei precisar", respondeu Nélio Lucas.

A defesa de Rui Pinto também esbarrou com o desconhecimento de Nélio Lucas sobre outras matérias, como o facto de o Twente, um dos clubes financiados pela Doyen, ter sido sancionado pelas autoridades desportivas holandesas.

"A Doyen fez um investimento como fez com outros clubes. Foi mais uma operação, como outras", comentou Nélio Lucas. "Sabe que o clube teve problemas com as autoridades desportivas holandesas", observou Teixeira da Mota. "Não faço ideia", replicou Nélio Lucas.