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Endereços informáticos da casa de Rui Pinto na Hungria eram diferentes dos registados nos acessos à PLMJ

Ex-diretor de informática da PLMJ admitiu discrepância entre os IP da Hungria identificados na acusação e os registados pela polícia húngara na casa onde Rui Pinto foi detido

Miguel Prado

Rui Pinto é acusado de 90 crimes relacionados com o Football Leaks

Nuno botelho

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O ex-diretor da área informática da PLMJ, Ricardo Negrão, admitiu esta quinta-feira em tribunal que os endereços IP da Hungria associados a alguns dos acessos ilegítimos aos computadores da PLMJ "não coincidiram" com os que a polícia húngara identificou na casa em Budapeste onde Rui Pinto foi detido em janeiro de 2019.

A advogada de Rui Pinto, Luísa Teixeira da Mota, questionou Ricardo Negrão sobre os vários endereços IP registados na informação que a polícia húngara recolheu quando deteve Rui Pinto, tendo o ex-funcionário da PLMJ admitido que estes não coincidiam com outros IP da Hungria identificados na acusação ao autor de Football Leaks.

Em causa estão pelo menos três acessos aos computadores da PLMJ feitos no final de 2018 a partir dos endereços IP 176.63.23.075 e 177.63.21.217, que estão identificados na acusação a Rui Pinto como parte do ataque informático à sociedade de advogados, endereços esses que, segundo Ricardo Negrão, foi possível associar a uma zona residencial na Hungria. Depois dos acessos à PLMJ feitos por aqueles dois IP, todos os acessos ilegítimos à sociedade de advogados foram feitos de forma anonimizada, sem que se perceba de que cidades ou países vieram.

Ricardo Negrão admitiu que esses IP diferem dos que a polícia húngara identificou em vários períodos de 2018 como estando associados aos equipamentos encontrados na casa em Budapeste onde Rui Pinto foi detido.

O ex-funcionário da PLMJ disse também que os registos dos IP também não permitem precisar quem estava a utilizá-los em dado momento.

O ex-diretor de informática da PLMJ foi já inquirido pela procuradora Marta Viegas esta quinta-feira, para confirmar vários elementos da acusação a Rui Pinto, confirmando que quem atacou a PLMJ teve acesso a cerca de 3 mil pastas da sociedade de advogados, tendo beneficiado de um ataque de phishing no qual um técnico informático de um prestador de serviços da PLMJ revelou as credenciais de acesso de uma conta da PLMJ que foram posteriormente usados pelos autores do ataque para entrar em cerca de 25 caixas de correio e descarregar parte dos documentos da firma.

Essa conta foi acedida por via externa pela última vez a 23 de dezembro de 2018. Mas Ricardo Negrão admitiu que só em janeiro de 2019 a conta foi desativada, depois do trabalho forense de análise dos acessos associados a essa conta.