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Football Leaks. “Não vai discutir Direito comigo. Quem diz o que pode ou não pode sou eu”. Juíza repreende antigo advogado de Rui Pinto

Aníbal Pinto reclamou perante a falta de respostas do inspetor da PJ Rogério Bravo. Juíza não gostou

Miguel Prado

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O julgamento de Rui Pinto e do seu antigo advogado, Aníbal Pinto, aqueceu esta quinta-feira, com a decisão do inspetor-chefe da Polícia Judiciária, Rogério Bravo, de se recusar a responder a várias perguntas, o que irritou Aníbal Pinto, levando a juíza Margarida Alves a repreender o arguido.

"Não vai discutir Direito comigo na qualidade de arguido. Quem diz o que pode ou não pode sou eu. Desde quando um arguido se levanta para discutir Direito com o tribunal?", declarou a presidente do coletivo de juízes que estão desde setembro a julgar Rui Pinto e Aníbal Pinto, acusados da co-autoria de tentativa de extorsão à Doyen.

A posição da juíza Margarida Alves surgiu depois de Aníbal Pinto se levantar para reclamar que a testemunha, Rogério Bravo, teria de explicar o porquê de se recusar a responder a várias perguntas consecutivas do seu advogado.

Margarida Alves sublinhou que "assiste ao senhor inspetor a possibilidade de se poder recusar a depor sobre factos que o possam prejudicar ou incriminar", já que Rogério Bravo indicou, no início da sessão do julgamento, que é arguido num outro processo que está a investigar a atuação da PJ na investigação a Rui Pinto e Aníbal Pinto.

Rogério Bravo recusou esclarecer porque aconselhou o advogado Pedro Henriques, ligado à Doyen e Nélio Lucas, a apagar partes de um e-mail para prevenir incidentes. "Em relação aos e-mails não respondo a mais nenhuma pergunta", declarou o inspetor-chefe da PJ.

E acusou o advogado de Aníbal Pinto de estar a seguir uma estratégia de inquirição para o prejudicar. Daí não querer responder. "É uma consequência da sua própria estratégia, a que eu tenho direito", defendeu-se Rogério Bravo.