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Football Leaks. PJ confirma que pediu ajuda à Doyen para investigar. “Aquilo foi um plus. Já que podes, vê lá se consegues”

O inspetor-chefe declarou, no julgamento de Rui Pinto, que essa colaboração com Pedro Henriques e a Doyen, então presidida por Nélio Lucas, "foi um mecanismo de aceleração"

Miguel Prado

Rui Pinto enfrenta uma acusação de 90 crimes relacionados com o Football Leaks.

Sonja Och / Der Spiegel

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Rogério Bravo, inspetor-chefe da Polícia Judiciária que conduziu a investigação sobre Rui Pinto e o blog Football Leaks, confirmou que pediu ajuda ao advogado da Doyen, Pedro Henriques, para trazer à investigação informações relacionadas com o site russo Yandex, ao qual estava associada a conta de Artem Lobuzov, a identidade assumida por Rui Pinto nos contactos com a Doyen em 2015 pelos quais está a ser julgado por tentativa de extorsão.

"Sabendo que dos países de Leste nunca vem informação atempada, o que dissemos foi: se (o Dr. Pedro Henriques) tem conhecimentos nos países de Leste, trate de obter a informação mais rapidamente", comentou Rogério Bravo, que a defesa de Aníbal Pinto (que está a ser julgado por co-autoria de tentativa de extorsão) acusa de ter partilhado com a Doyen um ofício da investigação do Football Leaks que estava sob segredo de justiça.

O inspetor-chefe declarou, no julgamento de Rui Pinto, que essa colaboração com Pedro Henriques e a Doyen, então presidida por Nélio Lucas, "foi um mecanismo de aceleração". "Aquilo foi um plus. Já que podes, vê lá se consegues", comentou Rogério Bravo.

O mesmo responsável argumentou que na área do cibercrime "é o queixoso que tem o domínio das suas redes e não há outra hipótese senão trabalhar com ele".

No seu depoimento Rogério Bravo disse também que, além do contacto com Pedro Henriques, a PJ requereu a informação à russa Yandex pelos canais formais.

O advogado de Aníbal Pinto, que foi quem questionou Rogério Bravo durante a manhã desta quarta-feira, comentou, a respeito dessa colaboração da Doyen, que "a PJ decidiu pegar num elemento do processo, que estava em segredo de Justiça, e entregá-lo a um terceiro, o Dr. Pedro Henriques".