Tribuna Expresso

Perfil

Football Leaks

"Football Leaks foi um acontecimento importantíssimo", defende diretor do Mediapart

O diretor do jornal francês Mediapart, Edwy Plenel, defendeu esta quinta-feira em tribunal o "interesse público maior das revelações de Rui Pinto no Football Leaks". Entre elas o projeto da Superliga

Miguel Prado

RODRIGO ANTUNES

Partilhar

O fundador e diretor do jornal digital francês Mediapart, Edwy Plenel, testemunhou esta quinta-feira que "o Football Leaks foi um acontecimento europeu importantíssimo", permitindo "a publicação de mais de uma centena de artigos de interesse público maior".

O jornalista, ouvido como testemunha da defesa de Rui Pinto, lembrou o impacto do Football Leaks em vários países europeus, notando que "em França alguns dias após a primeira notícia em 2016 sobre a evasão fiscal de jogadores de futebol a Procuradoria abriu um inquérito", que teve, entre outras consequências, a obrigação do futebolista Javier Pastore de pagar mais de um milhão de euros ao fisco francês.

Edwy Plenel lembrou também que o Football Leaks revelou, em França, uma política de discriminação racial do PSG na contratação de jovens futebolistas, matéria que ainda hoje está a ser investigada pelas autoridades francesas.

O diretor do Mediapart também assinalou que em 2018 o Parquet National Financier de França (departamento do ministério público que acompanha criminalidade económica) obteve de Rui Pinto um espólio de 12 milhões de ficheiros, aí iniciando uma colaboração com o autor de Football Leaks, que seria interrompida quando Rui Pinto foi detido na Hungria no início de 2019.

Plenel também referiu que a federação francesa de futebol abriu um inquérito sobre o recrutamento de jogadores menores, em resultado das revelações do Football Leaks por parte do consórcio EIC - European Investigative Collaborations, de que o Mediapart faz parte, juntamente com a Der Spiegel e o Expresso, entre outros meios.

A revelação da Superliga

A testemunha valorizou a divulgação da exploração de menores por parte dos clubes de futebol como um dos contributos da divulgação de documentos do Football Leaks obtidos por Rui Pinto.

"A atualidade recente mostra a utilidade democrática das revelações do Football Leaks. O projeto da Superliga privada organizada por 12 clubes ultra ricos foi revelado em 2018 pelos meios do EIC graças aos esforços de Rui Pinto", afirmou ainda Edwy Plenel.

"O Football Leaks alertou em 2018 para este projeto. Há uns dias o que se dizia em França é que o Mediapart tinha razão por ter revelado o projeto. Mas não éramos nós quem tinha razão, foi Rui Pinto. Sem ele não se tinha conseguido revelar. Aqui temos um exemplo da motivação de Rui Pinto, alguém que ama o futebol e descobre que o futebol é manipulado com vista ao lucro e à especulação financeira, em detrimento do desporto e dos adeptos".

Plenel comentou que "a Superliga é o símbolo de um futebol gangrenado pelo dinheiro", classificando o projeto como "um cartel" que exclui a maior parte dos clubes de futebol.

"O Football Leaks alertou em 2018 para este projeto. Há uns dias o que se dizia em França é que o Mediapart tinha razão por ter revelado o projeto. Mas não éramos nós quem tinha razão, foi Rui Pinto. Sem ele não se tinha conseguido revelar. Aqui temos um exemplo da motivação de Rui Pinto, alguém que ama o futebol e descobre que o futebol é manipulado com vista ao lucro e à especulação financeira, em detrimento do desporto e dos adeptos".

"Com o Football Leaks também descobrimos os métodos secretos dos agentes para contornar as regras, nomeadamente os de Jorge Mendes, com o Wolves, e de Pini Zahavi, com o clube belga Mouscron", acrescentou Edwy Plenel.