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Francisco Louçã: “Luanda Leaks abriu uma luz numa sala que estava às escuras”

No seu depoimento no julgamento de Rui Pinto, Francisco Louçã defendeu que “a sofisticação do crime económico e do branqueamento de capitais é de altíssima complexidade e o Luanda Leaks abriu uma luz numa sala que estava às escuras”

Miguel Prado

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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O professor universitário e conselheiro de Estado Francisco Louçã considera que o Luanda Leaks "foi um momento de viragem" na investigação sobre os capitais angolanos em Portugal e "sublinhou a opacidade dos movimentos" das empresas de Isabel dos Santos.

Arrolado como testemunha pela defesa de Rui Pinto no processo do Football Leaks, e porque o arguido já afirmou ter sido uma das fontes das revelações de Luanda Leaks, Francisco Louçã admitiu que relativamente às atividades da elite angolana havia pouca informação, que foi ampliada com o Luanda Leaks.

Questionado pelo advogado Francisco Teixeira da Mota sobre a importância do Luanda Leaks, Louçã respondeu que "o Luanda Leaks permitiu identificar as 400 empresas (ligadas a Isabel dos Santos) pelas quais o dinheiro circulava".

"O Luanda Leaks foi um ponto de partida para as autoridades dos partidos interessados", acrescentou.

No seu testemunho, Louçã recordou que ainda antes da publicação do Luanda Leaks havia suspeitas sobre os movimentos de capitais angolanos e lembrou que a compra da Efacec por Isabel dos Santos foi feita com "movimentos de fundos alheios e não de fundos próprios de Isabel dos Santos".

"O Luanda Leaks forneceu às autoridades angolanas informação de grande valor para promover a sua própria investigação", afirmou ainda Louçã.

Essas revelações impulsionaram a investigação das autoridades angolanas, defendeu. "O seu tratamento por um consórcio internacional de jornalistas permitiu concentrar a atenção pública sobre Isabel dos Santos e algumas outras figuras", referiu Louçã.

Questionado pela juíza Margarida Alves sobre se parte da informação do Luanda Leaks já circularia em alguns meios em Angola antes da sua publicação nos media e se a fuga de informação teria partido dos serviços secretos angolanos, Louçã disse não ter informação sobre a origem dos documentos.

"Havia alguma informação em meios angolanos sobre processos de enriquecimento", admitiu. "Mas o carácter sistémico e a informação detalhada só o Luanda Leaks é que o tinha", notou.

"Encontrar 400 empresas neste contexto... É ter o mapa do tesouro", comentou ainda Francisco Louçã.