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Football Leaks

Louçã: "É difícil encontrar grandes transações no futebol que não recorram a intermediários em paraísos fiscais"

Professor universitário e conselheiro de Estado foi ouvido como testemunha arrolada pela defesa de Rui Pinto no julgamento de Football Leaks

Miguel Prado

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O professor universitário e conselheiro de Estado Francisco Louçã defendeu como "extraordinariamente relevante" o teor das informações reveladas pelo Football Leaks, afirmando que "é difícil encontrar grandes transações no mundo do futebol que não recorram a intermediários em paraísos fiscais".

Defendendo a importância da "transparência na vida económica", Louçã notou que em muitos casos as denúncias e fugas de informação "são o único ponto de partida possível" para investigações sobre suspeitas de crimes económicos.

"Nos casos de crime económico a vítima é invisível, somos todos nós", referiu Francisco Louçã. No início do seu depoimento notou, contudo, que apenas conhece o Football Leaks das notícias publicadas na comunicação social, não tendo estudado os negócios do futebol na sua atividade académica.

No julgamento de Rui Pinto Francisco Louçã foi tambem confrontado pelos advogados da Doyen e da Federação Portuguesa de Futebol sobre como ponderar o princípio da reserva da vida privada e o interesse público das revelações que partem de acessos informáticos ilegítimos.

"O interesse público é sobre a informação que possa envolver um crime", respondeu, abstendo-se de comentar o acesso ilegítimo na base das revelações do Football Leaks, pelo qual Rui Pinto está a ser julgado por dezenas de crimes.

"Compete ao tribunal, não me compete como testemunha. Não tenho conhecimento se é por acesso interno à empresa ou de outra forma", referiu Francisco Louçã. "Se o acesso é interno ou externo não sei, não sei o que aconteceu e não é relevante para a percepção que tenho. O que posso apreciar é a informação obtida", acrescentou.