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Football Leaks

Football Leaks: Autor do LuxLeaks diz que diretiva de proteção de denunciantes "ainda é insuficiente"

Antoine Deltour, o "whistleblower" que revelou centenas de acordos fiscais no Luxemburgo, defendeu no julgamento de Rui Pinto que a proteção de denunciantes seja alargada e não abranja apenas fontes de dentro das organizações

Miguel Prado

FERENC ISZA

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"A proteção de denunciantes tem vindo a ser melhorada, sobretudo com a diretiva de 2019, mas ainda é insuficiente", declarou Antoine Deltour, antigo auditor da multinacional PwC que foi a fonte das revelações do LuxLeaks, durante o julgamento de Rui Pinto, autor do blog Football Leaks.

"É do interesse da sociedade tornar mais abrangente esta proteção, porque essa proteção adicional permitirá mais facilmente lutar contra a corrupção", referiu Antoine Deltour.

A testemunha lembrou que a diretiva atualmente apenas protege os denunciantes que revelem informação de entidades para as quais trabalharam, defendendo que a legislação proteja também outros tipos de denunciantes.

Deltour disse não defender que "tudo seja revelado por todos", notando que deve ser o interesse público a determinar se um denunciante deve ou não ser protegido.

Deltour, que integra a associação Signals, admitiu que esta entidade apoiou financeiramente Rui Pinto, custeando parte dos seus encargos com advogados.

E lembrou que "o caso Football Leaks teve revelações que aconteceram fora do quadro profissional". "Apenas sei o que é público, mas as informações reveladas são de extremo interesse público", declarou.

Questionado sobre se um hacker que aceda a sistemas informáticos de terceiros em busca de dados deve ser protegido, Deltour respondeu que se revelar um esquema de corrupção é de interesse público e merece proteção.

Questionado pela advogada da Doyen, Sofia Ribeiro Branco, sobre se a associação Signals incentiva hackers a atacar sistemas em busca de informação, Deltour respondeu negativamente. "Nós não encorajamos denunciantes, apenas damos conselhos e apenas agimos após a revelação das informações", respondeu Deltour.