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Director da Repórteres sem Fronteiras diz que Football Leaks e Luanda Leaks trouxeram informação de "interesse público evidente"

Christophe Deloire foi ouvido esta quarta-feira como testemunha arrolada pela defesa de Rui Pinto, defendendo a importância das revelações sobre os negócios de futebol e de Isabel dos Santos

Miguel Prado

Maria Feck

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O diretor-geral da associação Repórteres sem Fronteiras, Christophe Deloire, acredita que Rui Pinto prestou um serviço à sociedade e ao jornalismo ao fornecer "informações de interesse público evidente" na base das revelações de Football Leaks e Luanda Leaks.

Ouvido como testemunha arrolada pela defesa de Rui Pinto, que está a ser julgado por 90 crimes, incluindo acesso ilegítimo e tentativa de extorsão (à Doyen), Deloire afirmou que as revelações dos dois projetos contribuíram para o direito à informação.

"Importantes grupos de media juntaram-se para trabalhar estas informações, não em busca de audiências, porque para isso transmitiriam jogos de futebol, mas para informar a sociedade", destacou Christophe Deloire.

No seu testemunho o responsável da RSF assinalou que "o futebol é um meio em que é difícil investigar", pois "a informação é controlada pelas potências do futebol". Em ambos os casos, Football Leaks e Luanda Leaks, as revelações chamaram a atenção da sociedade para os temas da evasão fiscal e corrupção, acrescentou.

Deloire defendeu ainda que a eventualidade de as informações terem sido obtidas por via ilícita não retira o interesse público das mesmas. "Não, de todo", declarou, sublinhando "o risco de a informação pública estar cada vez mais limitada a versões oficiais".

"A informação é cada vez mais controlada pelas empresas e grandes aparelhos de comunicação", referiu Christophe Deloire, para reforçar que "procurar o acesso a informação não oficial é essencial" para garantir o papel de interesse público do jornalismo.

Rui Pinto vai falar no seu julgamento antes das alegações finais

Quando falta ouvir menos de uma dezena de testemunhas, o advogado de Rui Pinto, Francisco Teixeira da Mota, informou esta quarta-feira o coletivo de juízes de que o arguido vai prestar declarações durante o julgamento.

Rui Pinto irá falar após a inquirição de todas as testemunhas e antes das alegações finais do julgamento, informou Teixeira da Mota.

Durante o julgamento Rui Pinto apenas leu uma declaração inicial logo numa das primeiras sessões, mas sem responder a questões do coletivo de juízes.