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Fórmula 1

O glossário mais completo da Fórmula 1 está aqui, de A a Z. Literalmente

Já não vê Fórmula 1 desde os gloriosos tempos de Senna ou Schumacher? Não conhece a Liberty Media, a empresa americana que quer revolucionar a modalidade? Acha que a Williams ainda está na frente? Este glossário é uma forma divertida e prática de se pôr a par antes do arranque da temporada, este domingo, na Austrália

João Pedro Barros

Hamilton já foi por cinco vezes campeão do mundo, mas quer continuar a festejar para chegar ao recorde de Schumacher

Dan Istitene

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A - Asas
É a grande alteração regulamentar para esta época: quer a traseira quer a dianteira ficaram ligeiramente mais largas mas muito mais simples. Com isto simplifica-se a aerodinâmica e diminui-se a turbulência que os carros atiram para trás, para os seus perseguidores. O objetivo é simples: permitir mais ultrapassagens e que os carros circulem mais perto uns dos outros, dando (pelo menos) uma sensação de maior competitividade e emoção.

B - Bottas, Valtteri
É uma espécie de época de tudo ou nada para o companheiro de equipa do campeão Lewis Hamilton. Após uma temporada de 2018 dececionante (e muito azarada), sem qualquer vitória, o finlandês precisa de mostrar que é um piloto de "top" e não apenas um bom companheiro do britânico. Caso contrário, arrisca-se a que a Mercedes não renove o seu contrato para 2019.

C - China
É a terceira corrida da temporada, agendada para 14 de abril, mas, mais importante do que isso, será a milésima prova da história da Fórmula 1. Os chineses hão-de querer fazer uma festa a preceito.

D - Dinheiro
A Liberty quer tornar a Fórmula 1 mais barata – e até diz que há novas equipas interessadas em entrar na competição em 2021 –, mas o dinheiro investido continua a ser muito. Dois exemplos: o sério investimento da Renault, que se quer aproximar das três grandes equipas, e de Lawrence Stroll, o multimilionário canadiano que comprou a Force India e a rebatizou Racing Point. Um dos pilotos é o filho Lance Stroll, o ex-Williams que não se livra do epíteto de ser um miúdo a brincar com a “massa” do papá.

E - Eleven
Para quem acompanha a modalidade em Portugal, é possivelmente a novidade do ano: a estação adquiriu o exclusivo televisivo para Portugal e promete uma aposta a sério, com enviados especiais a uma boa parte das corridas e mais análise e informação. A subscrição da F1 TV (custa 49,99 euros por ano e tem inúmeros extras) é uma alternativa.

F - Ferrari
Já lá vão 11 anos desde o último título e a temporada de 2018 foi amarga para os tiffosi: o carro foi durante pelo menos metade da temporada claramente o mais rápido, mas vários erros – mais de Vettel do que estratégicos – deitaram tudo a perder. Por causa da questão estratégica, caiu mais um chefe de equipa: Mattia Binotto substituiu Maurizio Arrivabene. Será desta?

O Ferrari de Vettel nos testes de Barcelona

O Ferrari de Vettel nos testes de Barcelona

Artes Max

G - Glamour
A Liberty Media comprou o negócio da Fórmula 1 em 2017 para ganhar dinheiro, pois claro. A ordem é tornar o desporto mais "sexy", o mais rapidamente possível. A grande transformação nas regras prevista para 2021 é apenas uma parte do plano, outra muito importante tem a ver com marketing. Por isso já vimos em 2018 estrelas como Will Smith presentes em várias provas e a “contracenar” com os pilotos. Habituem-se.

H - Honda
Entre as três da frente, a maior incógnita é a Red Bull, não pelo seu chassis – tradicionalmente tão forte ou mais do que os da Mercedes e Ferrari – mas pelo motor. A Renault foi substituída pela Honda e é uma verdadeira prova de fogo para os japoneses, que tiveram durante vários anos as orelhas a arder face aos impropérios lançados por Fernando Alonso no rádio da McLaren, queixando-se de falta de potência.

I - Inglaterra
Apenas três equipas não têm bases no país, que continua a ser o coração deste desporto e do automobilismo: a Ferrari e a Toro Rosso (Itália) e a Alfa Romeo (sediada na Suíça, pela herança da Sauber). O Brexit é por isso uma dor de cabeça: aumentaria os custos de importação de peças e os problemas com os vistos dos trabalhadores, já que as equipas são verdadeiras sociedades das nações.

J - Juventude
Com 19 anos, Lando Norris, da McLaren, é o piloto mais jovem. Segue-se Lance Stroll (20 anos), que já vai para a sua terceira época completa. George Russell (inglês, Williams) tem 21 anos, assim como Charles Leclerc – o mais jovem piloto da Ferrari desde 1961 e que precisou apenas de uma época (na Sauber) para lá chegar – e Max Verstappen, que vai para a quinta época na modalidade (não há quem não o aponte como futuro campeão do mundo).

K - Kubica
Está no outro lado da moeda, entre os mais velhos pilotos em prova, e regressa à competição após um gravíssimo acidente num rali, em 2011. O polaco sofreu múltiplas fraturas e teve de amputar parcialmente o antebraço direito – pensava-se que seria o fim da sua carreira como piloto. Em termos de resultados, não são expectáveis milagres ao volante de um Williams, equipa na qual foi piloto de testes em 2018.

Kubica volta a sorrir e tem uma claque fiel. O problema serão os resultados...

Kubica volta a sorrir e tem uma claque fiel. O problema serão os resultados...

Stephen Blackberry

L - Lenda
Já é esse o estatuto de Lewis Hamilton, mas o inglês está a poucos passos de ser estatisticamente o melhor piloto de sempre da Fórmula 1: tem cinco títulos mundiais, menos dois do que Michael Schumacher, e 73 vitórias, menos 18 do que o alemão. Não vai bater nenhum dos recordes esta temporada, mas, aos 34 anos, terá de se apressar se quer lá chegar.

M - Mercedes
Já lá vão cinco títulos consecutivos de construtores e pilotos, mas a equipa superiormente liderada por Toto Wolff não parece ir tirar o pé do acelerador. Exceção feita aos treinos de pré-época em Barcelona, em fevereiro, em que os carros alemães se pareceram arrastar. Será um truque antigo: em inglês chama-se “sandbagging”; no póquer diz-se que é “bluff”.

N - Noturno
O calendário inclui duas corridas totalmente noturnas (no Bahrein, a 31 de março, e Singapura, a 22 de setembro) e uma que começa de dia e termina de noite (em Abu Dhabi, a 1 de dezembro).

Ó - Óbito
Foi uma notícia que chocou o “paddock” esta quinta-feira, um dia antes dos carros começarem a rolar na Austrália. De madrugada, morrera Charlie Whiting, diretor de corridas desde 1997 e uma figura querida de todos os pilotos.

P - Pontuação
Foi uma medida aprovada em cima da hora: um ponto extra para o autor e equipa da volta mais rápida em cada circuito. Mas como a vitória vale 25 pontos e o ponto só será atribuído se o piloto ficar nos lugares pontuáveis (os dez primeiros), não se antevê que haja grandes apostas estratégicas para o conquistar.

Q - Qualificação
Mantêm-se as três sessões eliminatórias para estabelecer a grelha de partida, tal como desde 2008. Há apenas uma alteração, que corrige uma bizarria: no ano passado, no caso de mais do que um piloto ter recebido mais do que 15 lugares de penalização (algo perfeitamente possível, nomeadamente por mudanças de motor), a ordem de partida seria definida pela ordem de saída para o anónimo treino livre um. Isso fazia com que muitos pilotos só fizessem a primeira sessão de qualificação e encostassem nas boxes, uma vez que a sua posição já estava definida. Este ano, nestes casos, a ordem da grelha de partida vai ser definida pelo resultado da qualificação. Todos vão ter de ir a jogo.

R - Ricciardo
É o homem da casa na Austrália, onde se estreia pela Renault. A saída da red Bull foi uma aposta de risco, mas Ricciardo já veio revelar que não se sentia amado na equipa austríaca. As picardias com o irascível Verstappen claramente ajudaram à decisão.

Ricciardo dá agora a cara pela Renault, após cinco anos na Red Bull

Ricciardo dá agora a cara pela Renault, após cinco anos na Red Bull

S - Sauber
Pela primeira vez desde 1992, o nome da escuderia fundada pelo empresário suíço homónimo vai estar arredada da Fórmula 1. A equipa é agora designada Alfa Romeo Racing e tornou-se, na prática, uma segunda equipa da Ferrari, visto que ambas as marcas são controladas pela família Agnelli.

T - Testes
A pré-época foi limitada a oito dias em Barcelona. Pensava que as equipas podiam pôr os carros a rodar o tempo que fosse preciso nas suas pistas privadas? Isso já não é possível há alguns anos, para controlar os custos galopantes desses testes. Vettel fez o tempo mais rápido, mas apenas três milésimas mais rápido do que Hamilton – só no último dia é que a Mercedes deu um ar da sua graça.

U - Ultramacios
Acabou a louca terminologia sobre a dureza dos pneus disponibilizados pela Pirelli, que deu vida a palavras (?) como hipermacios, ultramacios e supermacios. As equipas vão ter à escolha cinco compostos e escolhem três, denominados duros (brancos), médios (amarelos) e macios (vermelhos). Simples, não é? Em caso de chuva, há outros dois compostos específicos.

V - Vettel
Conseguiu perder um campeonato que estava bem encaminhado no ano passado. Se falhar de novo ainda tem mais um ano de contrato, mas resta saber se a Ferrari manterá a paciência.

W - Williams
Quem tiver hibernado da Fórmula 1 durante 20 anos ficará chocado por ver que uma das grandes equipas dos anos 80 e 90 (16 títulos) está afundada na cauda do pelotão. Depois de ter feito a pior época de sempre em 2018, a escuderia agora liderada por Claire, filha do mítico Frank Williams, conseguiu não ter um carro pronto em Barcelona para os primeiros dois dias de testes, desenhar peças reprovadas pela FIA e, no fim, dispensar o renomado diretor técnico Paddy Lowe. Ao que parece, está dois segundos por volta atrás dos rivais mais próximos.

A Williams está em maus lençóis, mas não levou o portão do circuito de Barcelona à frente: esta grelha é usada para recolher dados aerodinâmicos

A Williams está em maus lençóis, mas não levou o portão do circuito de Barcelona à frente: esta grelha é usada para recolher dados aerodinâmicos

Artes Max

X - Xadrez
A simbólica bandeira vai continuar a ser mostrada no final da corrida, mas é agora meramente simbólica. Foi substituída por um sinal luminoso, para evitar confusões como as do Canadá, em 2018. A modelo Winnie Harlow enganou-se e mostrou-a antes do tempo…

Z - Zero
Haverá três estreantes em grandes prémios no domingo: Lando Norris (19 anos, inglês, McLaren), George Russell (inglês, 21 anos, Williams) e Alexander Albon (22 anos, tailandês, Toro Rosso).