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“Schumacher”. A história do heptacampeão corre para a sétima arte

O documentário oficial sobre a ascensão e o declínio do antigo piloto alemão de Fórmula 1 tem estreia apontada para dezembro

André Manuel Correia

Clive Rose / Getty Images

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Apenas “Schumacher”. Não é preciso dizer mais nada. O nome fala por si. É uma marca. Um título com muitos títulos dentro, conquistados por uma das maiores lendas do desporto. O drama da ascensão e declínio de um ídolo, atualmente com 50 anos, será transposta para o cinema, através de um documentário, autorizado pela família e com estreia apontada para dezembro.

O filme, produzido pela Rocket Science e montado com imagens de arquivo, conta com entrevistas do pai, do irmão Ralf (que rivalizou nas pistas com Michael), da esposa Corinna e do filho Mick, de 20 anos, de quem muito se espera e que está, também ele, às portas da Fórmula 1.

“A carreira incrível de Michael Schumacher merece ser celebrada 25 anos após a conquista do primeiro dos sete títulos. Estamos felizes pelo filme estar nas mãos de profissionais ambiciosos”, afirma a assessora do antigo piloto, Sabine Kehm, relativamente ao documentário em fase de pós-produção, realizado por Michael Wech e Hanns-Bruno Kammertons.

Podem os números traduzir a grandeza de um homem? Bem, em alguns casos, sim. Sete vezes campeão de mundo de Fórmula 1 – dois pela Benetton (1994 e 1995) e outros cinco consecutivos pela Ferrari (entre 2000 e 2004). 91 vitórias. 155 pódios. 68 pole-positions. 77 voltas mais rápidas em corrida. Os registos de Michael Schumacher são astronómicos e fazem dele o maior de todos os tempos na modalidade. O melhor da história? Aí a discussão pode levar horas, entre os fãs do germânico e do lendário Ayrton Senna, numa equação em que Lewis Hamilton também se começa a intrometer.

Paul Gilham / Getty Images

A história de Schumacher no grande circo da Fórmula 1 teve o primeiro capítulo a 25 de agosto de 1991, no Grande Prémio da Bélgica. Ali nascia uma estrela, quase de forma fortuita. O alemão, nascido na pequena cidade de Kerpen e proveniente de uma família com poucos recursos, tinha apenas 22 anos quando dirigiu o monologar da Jordan no mítico circuito de Spa, substituindo Bertrand Gachot, piloto oficial da equipa, que tinha sido preso em Londres por agredir um taxista com gás-pimenta.

A corrida daquele domingo foi curta para Schumi, que abandonou logo na primeira volta, mas o sétimo lugar na grelha, obtido na classificação de sábado, foram o suficiente para atrair a atenção do italiano Flavio Briatore, que não hesitou em levá-lo para a Benetton, onde acabou por marcar uma era, após a morte de Senna.

Michael Schumacher, em 1995, como piloto da Benetton, equipa onde conquistou dois títulos mundias

Michael Schumacher, em 1995, como piloto da Benetton, equipa onde conquistou dois títulos mundias

Getty Images / Getty Images

O "barão vermelho", como ficou conhecido, retirou-se no final da temporada de 2006, depois de ter conquistado tudo com a Ferrari, scuderia que reergueu das cinzas e num momento em que Fernando Alonso colocava um ponto final na hegemonia do “cavallino rampante”. Os tiffosi ficavam orfãos do homem que lhes deu tudo e, depois dele, apenas celebraram mais um campeonato de pilotos, em 2007, obtido por Kimi Raikkonen.

Michael acabaria por regressar em 2010, a convite de Ross Brawn, ao volante da Mercedes, numa altura em que as "flechas prateadas" tentavam afirmar-se novamente como uma potência, mas o heptacampeão já não tinha o ritmo de outros tempos, sendo sucessivamente batido pelo companheiro de equipa Nico Rosberg. Reformou-se, definitivamente, no final de 2012.

Schumi é um mito por tudo o que conquistou, mas também por tudo aquilo que perdeu num acidente enquanto esquiava na neve dos Alpes, em 2013, que o deixou em coma até hoje. Uma avalanche inesperada no percurso de um predestinado, que desafiou os limites e tantas vezes pisou as regras, derrubou um dos mais carismáticos, marcantes, influentes e controversos desportistas de sempre.