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Covid-19. Ventilador produzido pela equipa de F1 da Mercedes aprovado para uso em hospitais

Foi um trabalho feito em tempo recorde. Os homens e mulheres que criaram o motor campeão do Mundo de Fórmula 1 precisaram de apenas duas semanas para, em cooperação com uma universidade londrina, fabricar um novo dispositivo para ajudar na luta contra a covid-19

Lídia Paralta Gomes

NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images

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É uma espécie de economia de guerra, mas com tecnologia de ponta. Já se sabia que várias equipas de Fórmula 1 haviam alocado alguns dos seus engenheiros para ajudar na criação de novos ventiladores para o serviço nacional de saúde do Reino Unido na luta contra a covid-19. Mas agora chega a notícia que um protótipo produzido pelos homens e mulheres que fabricaram os motores campeões do Mundo nas últimas seis temporadas já recebeu aprovação para uso nos hospitais britânicos.

O novo ventilador foi construído pela Mercedes High Performance Powertrains em parceria com engenheiros da University College London e clínicos do hospital desta mesma universidade. De acordo com informações partilhadas pelo site oficial da Fórmula 1, o "Continuous Positive Airway Pressure" (CPAP), assim se chama o dispositivo, é bastante menos evasivo que um ventilador normal e permitirá travar o agravamento dos sintomas da doença, aliviando assim as unidades de cuidados intensivos. O trabalho começou a 18 de março, portanto há menos de duas semanas, e os engenheiros usaram como base outro dispositivo de ajuda respiratória usado na China e Itália.

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"Estamos muito orgulhosos por termos colocado os nossos recursos ao serviço da University College London para assim trazermos este novo CPAP com os mais altos standards e da maneira mais célere que conseguimos", sublinhou Andy Cowell, diretor da Mercedes High Performance Powertrains, a unidade de desenvolvimento de motores da Mercedes F1, localizada em Brixworth, em Inglaterra.

De acordo com a University College London, esta colaboração permitiu "reduzir um processo que poderia levar anos a uma questão de dias".

"Depois de falarmos pela primeira vez, trabalhámos todas as horas de todos os dias, desmontando e analisando um dispositivo sem patente. Usando simulações de computador, melhorámos o dispositivo de forma a criar uma versão de vanguarda que poderá ser produzida em massa", diz Tim Baker, do departamento de engenharia mecânica da universidade londrina, citado pelo site da Fórmula 1.