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Morreu Stirling Moss, o melhor piloto de sempre que nunca foi campeão

Antiga glória do Fórmula 1 nos anos 50 morreu este domingo de doença prolongada, aos 90 anos

Lídia Paralta Gomes

Hulton Deutsch/Getty

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Talvez nunca ninguém tenha ganho tanto sem ser campeão. Stirling Moss, aliás, Sir Stirling Moss, venceu qualquer coisa como 212 das 529 corridas em que participou nas mais variadas disciplinas e variantes ao longo de uma carreira de 14 anos, mas no seu palmares não há títulos. Morreu este domingo de Páscoa, na sua casa de Londres, cidade onde nasceu. Tinha 90 anos.

Numa era em que os pilotos pululavam pelos diferentes campeonatos, Stirling Moss era um trota-mundos. A Fórmula 1 era o seu habitat, mas Moss participou ainda variadas vezes nas 24 horas de Le Mans ou em provas de ralis. Um piloto profícuo e ainda hoje visto como um dos mais completos de sempre.

Na Fórmula 1, venceu 16 das 66 corridas em que participou, mas o título mundial escapou sempre: foi vice-campeão ene 1955 e 1958 e terminou o campeonato em 3.º lugar entre 1959 e 1961 - terá tido o azar de ser contemporâneo de Juan Manuel Fangio. Mas não terá sido essa a única razão. Apesar de ser um dos maiores talentos daquela geração de pilotos dos anos 50 e 60, Stirling Moss sempre preferiu conduzir carros britânicos, numa época dominada pelos carros italianos e alemães. A sua página do Hall of Fame dos motores, distinção que recebeu em 1990, recorda-se uma frase lapidar da sua autoria: "Antes perder com honra num carro britânico do que vencer num carro estrangeiro".

Em 1958, o título teria sido seu caso não se tivesse insurgido contra a desclassificação do rival Mike Hawthorn no GP de Portugal, que na altura se realizava nas ruas do Porto.

Em 1962 sofreu um grave acidente numa corrida em Goodwood, que o deixou um mês em coma e seis meses paralisado. Stirling Moss ainda tentaria um regresso à competição, mas rapidamente percebeu que o acidente lhe tinha roubado o instinto para as corridas.

Dai para cá tornou-se embaixador de várias marcas e foi aparecendo em eventos de exibição até se retirar da vida pública em 2018. Partiu este domingo depois de uma luta longa contra doença prolongada.

De acordo com a sua mulher, Lady Susie Moss, em declarações ao "Daily Mail", Stirling Moss "morreu como viveu, com um ar fantástico".