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Lewis Hamilton acusa a Fórmula 1 e alguns dos seus companheiros de não estarem a levar o racismo a sério

O piloto inglês não tem gostado da forma como os organizadores da F1 e os outros pilotos têm lidado com a luta antirracismo. “É quase como se tivesse saído da agenda. Falta-lhe liderança”

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Dan Istitene - Formula 1/Getty

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Lewis Hamilton enviou um protesto aos líderes da Formula 1 e a alguns dos seus colegas de grelha depois de a modalidade ter falhado na passagem de uma mensagem antirracismo coerente antes do Grande Prémio da Hungria. Hamilton venceu a corrida mas foi muito crítico da falta de progressos da F1 no apoio ao compromisso com o fim do racismo.

“Definitivamente não há apoio suficiente para isso,” disse do gesto antirracismo antes da corrida. “Muitos pilotos parecem partilhar a opinião de que o fizeram uma vez e não vão fazê-lo novamente. É quase como se tivesse saído da agenda. Falta-lhe liderança. Tem de haver liderança do topo.”

Na corrida de abertura na Áustria houve um momento para os pilotos fazerem um gesto coletivo. Em Budapeste os pilotos juntaram-se para o hino nacional e o que se seguiu foi algo desorganizado. Alguns pilotos faltaram, outros chegaram atrasados, alguns não usaram as t-shirts “End Racism” e, mais uma vez, apenas alguns se ajoelharam.

Hamilton considera que o problema está a ser desvalorizado por alguns pilotos. “Não acho que esteja a ser levado a sério,” disse. “Talvez haja pessoas que não cresceram à volta disso e que não percebem. Há aqueles que não pensam nisso porque não os afeta.”

O campeão do mundo estava também desiludido por não estar a ser mais alcançado e por outras equipas não terem adotado o compromisso com a diversidade que a Mercedes adotou. “Não fizemos progressos,” disse Hamilton sobre a modalidade. “Dissemos coisas, emitimos comunicados e fizemos gestos como ajoelharmo-nos mas não mudámos nada exceto talvez alguma da nossa perceção.”

A F1 respondeu aos comentários de Hamilton com um comunicado: “Acabar com o racismo e aumentar a diversidade e a inclusão na F1 são prioridades claras. Desenvolvemos os nossos planos para a diversidade e para a inclusão na F1 em novembro passado e anunciámos nas últimas semanas planos adicionais para criar uma “Taskforce” para combater estes problemas e uma fundação com mais de 1 milhão de dólares em donativo para criar estágios e oportunidades de trabalho para grupos sub-representados. Queremos fazer mudanças que perdurem e estamos a trabalhar para fazê-lo.”