Tribuna Expresso

Perfil

Fórmula 1

A vitória número sete de Hamilton em Silverstone chegou em três pneus

Final de corrida impróprio para cardíacos no GP Grã-Bretanha, com os Mercedes de Bottas e Hamilton a furarem nas últimas voltas. O finlandês caiu de segundo para fora dos pontos e o britânico conseguiu levar o carro com apenas três rodas funcionais até à meta para a 7.ª vitória em casa

Lídia Paralta Gomes

Bryn Lennon/Getty

Partilhar

Em 87 vitórias na Fórmula 1 para Lewis Hamilton, nenhuma delas terá sido como a 7.ª em Silverstone. Depois de uma corrida sem grandes incidentes tanto para o britânico como para o colega na Mercedes, Valtteri Bottas, as últimas voltas baralharam quase tudo, com os pneus duros da Pirelli a cederem. A duas voltas do final, foi Bottas a perder o pneu frontal esquerdo. De 2.º, o finlandês caiu para fora dos pontos.

Mas o drama estava longe de acabar para os homens da Mercedes: à entrada da última volta, o mesmo pneu furou no carro de Hamilton, que conseguiu ainda assim arrastar o carro até à meta, quando Max Verstappen já se aproximava.

Uma chamada às boxes estratégica após o furo de Bottas roubou a vitória a Verstappen: com Hamilton já muito longe e Charles Leclerc sem hipóteses de apanhar o holandês, a Red Bull colocou pneus macios para que Verstappen conquistasse o pontinho da volta mais rápida. E com isto, mesmo em três rodas, a vantagem de Hamilton permitiu ao britânico tornar-se no piloto com mais vitórias em casa na história da F1.

“Na reta, o pneu cedeu e naquele momento fiquei com o coração na boca. Só rezava para conseguir acabar a volta. Nunca vivi nada assim numa última volta. O meu coração quase parou. Aliás, acho que estava tão calmo precisamente porque o meu coração parou”, disse o britânico no final.

Quase despercebido e praticamente a correr sozinho durante as 52 voltas do GP, Charles Leclerc aproveitou o azar de Bottas para levar a Ferrari ao pódio e lavar a honra da equipa italiana, que viu Sebastian Vettel terminar apenas em 10.º lugar.

Num grande prémio em que, até às duas voltas finais, boa parte do interesse esteve no pelotão intermédio, Daniel Ricciardo repetiu o seu melhor resultado com a Renault, ao terminar em 4.º, depois de ultrapassar Lando Norris nas derradeiras voltas e ver Carlos Sainz ser outro dos pilotos a ficar sem pneu dianteiro esquerdo nos últimos momentos da corrida. Norris (McLaren) foi então 5.º, Esteban Ocon (Renault) 6.º, com Pierre Gasly (AlphaTauri) a ser um dos grandes animadores da prova, a terminar em 7.º. Alex Albon (Red Bull), depois de uma corrida difícil, em que foi penalizado após chocar com Kevin Magnussen, ainda conseguiu chegar ao 8.º lugar, beneficiando dos problemas dos carros da frente e de pneus mais frescos.

Hulkenberg nem partiu

Chamado à última hora para substituir Sergio Pérez, depois do mexicano ter testado positivo à covid-19, Nico Hulkenberg nem sequer partiu para o GP Grã-Bretanha depois do Racing Point sofrer um problema técnico a caminho do pitlane.

O alemão deverá ter nova oportunidade já na próxima semana, no GP comemorativo dos 70 anos da Fórmula 1, que também terá lugar em Silverstone.

Com a terceira vitória consecutiva de Hamilton e o azar de Bottas, o britânico fica com uma liderança ainda mais robusta no Mundial de pilotos, com 88 pontos. O finlandês tem 58, menos seis que Max Verstappen (52).