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Até Hamilton está farto do seu domínio: "Se eu fosse fã teria visto o início, voltava a dormir e acordava outra vez para ver o final"

Britânico da Mercedes venceu o GP Bélgica, que liderou do início ao fim, está com 47 pontos de vantagem para o 2.º classificado no Mundial de pilotos e diz compreender os que acharam este fim de semana chato. Ele próprio também achou

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Dan Istitene - Formula 1

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Foi mais um daqueles fins de semana na Fórmula 1: Lewis Hamilton fez a pole, partiu na frente, liderou toda a corrida e no final agarrou mais uma vitória. Um Grande Prémio como tantos outros, com o piloto da Mercedes a cavar à 7.ª corrida uma vantagem de 47 pontos para o segundo classificado no Mundial de pilotos, Max Verstappen. O GP Bélgica já nos deu corridas emocionantes nos últimos anos, mas a consistência dos pilotos da frente e a necessária gestão de pilotos tornou tudo previsível e, nas palavras do próprio Verstappen, "chato".

Tão chato que o próprio Lewis Hamilton parece aborrecido com o seu próprio domínio. No final da prova em Spa, na qual conseguiu o seu 89.º triunfo na F1, o britânico comparou a sua era aos tempos de Schumacher, ainda o recordista de vitórias e de títulos mundiais.

"Eu não posso falar por todos os fás, mas tendo sido eu próprio um fã de Fórmula 1 durante o domínio de Schumacher, sei bem o que isso é", disse Hamilton aos jornalistas no final do GP Bélgica. "Nessa altura eu era um adolescente. Normalmente acordava, comia a minha sandes de bacon, via o início, ia dormir outra vez e acordava de novo para ver o fim da corrida. Se eu fosse fã, este domingo teria feito o mesmo, via só os melhores momentos. Eu imagino que não é a corrida mais entusiasmante para aqueles que estão a assistir", frisou.

Lewis Hamilton lembrou, no entanto, que os pilotos não são os culpados desta aparente letargia do espectáculo que todos querem ver em pista. "A corrida começa e vocês sabem que eu não cometo muitos erros. E os outros pilotos também não, todos são muito consistentes. É difícil ultrapassar em Spa, assim que não é o mais excitante. Eu espero que as pessoas percebam que isto não é culpa nossa. Nós somos pilotos, dedicados e damos absolutamente tudo para chegar à corrida e dar o nosso melhor".

"Quem toma as decisões no design dos carros, quem faz as regras, esses é que devem ser pressionados para que façam um melhor trabalho", disse à imprensa. Hamilton espera que em 2022, com a introdução das novas regras, que tornarão o pelotão mais igual, o espectáculo e a competitividade possam melhorar: "Com os novos carros se calhar vamos ver uma forma diferente de correr, mais interessante para os adeptos seguirem".

A 89.ª vitória de Hamilton na pior corrida da Ferrari na última década

O piloto inglês da Mercedes foi o mais rápido a terminar o Grande Prémio da Bélgica, no circuito de Spa, onde os Ferrari de Vettel e Le Clerc terminaram na 13.ª e 14.ª posições, a pior classificação para a escuderia italiana (sem que algum dos pilotos tenha abandonado a corrida) desde 2010