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“O tipo de público da Fórmula 1 é completamente diferente do público do futebol”

O administrador do Autódromo Internacional do Algarve (AIA), Paulo Pinheiro, defende que a presença de público em eventos como a Fórmula 1 "não é comparável" com os jogos de futebol. Portimão recebe uma ronda de F1 a 25 de outubro

Lusa

Clive Mason - Formula 1/Getty

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O administrador do Autódromo Internacional do Algarve (AIA), Paulo Pinheiro, defende que a presença de público em eventos como a Fórmula 1 "não é comparável" com os jogos de futebol.

Em entrevista à agência Lusa feita antes do anúncio de novas medidas de contenção da pandemia por parte do primeiro-ministro, Paulo Pinheiro explica que, "fisicamente, os equipamentos não são parecidos", o que faz toda a diferença na hora de decidir.

"Fisicamente, o equipamento não é parecido, nem o tipo de acessos que um estádio de futebol tem. A distância em que o público está espalhado? Aqui está em 6,5 quilómetros, enquanto que no estádio de futebol é em 400 metros. É uma situação completamente diferente. O tipo de público também é completamente diferente", frisa Paulo Pinheiro.

Outra das diferenças prende-se com os horários em cada uma das modalidades, que são bastante diferentes.

"No futebol, tem de se entrar em 45 minutos, ninguém vai ver um jogo três horas antes. Aqui não, há quatro horas de intervalo entre a primeira e a última pessoa a entrar. Há uma série de características físicas completamente diferentes", acrescenta o mesmo responsável.

Ainda assim, Paulo Pinheiro entende que "todos os desportos devem ter condições iguais".

"Falando como leigo, dever-se-á identificar no futebol qual a quantidade de pessoas que não coloca 'stress' nas entradas, qual a distribuição dessas pessoas no estádio e determinar uma capacidade que torna seguro estar dentro de um estádio de futebol, de um concerto. As pessoas poderão ser obrigadas a estar sempre de máscara, por exemplo. Desde que se defina o que é preciso para que aquilo aconteça, acho que todos deverão ter tratamento idêntico, não igual", sublinhou.

Quanto aos eventos previstos para o AIA a contar para o Mundial de Fórmula 1 (25 de outubro) e Mundial de MotoGP (22 de novembro), Paulo Pinheiro mostra algumas preocupações apenas com as entradas no recinto.

"O que mais nos preocupa é aquela fase entre o estacionamento e o torniquete. Potencialmente, é onde o público poderá afunilar. Triplicámos o número de entradas para o que seria normal para garantir que não há qualquer congestão. Mas imagine que estamos a prever três horas e toda a gente chega na mesma hora", explica.

As portas do Autódromo algarvio abrem às 07:00, sendo que, no domingo, a corrida de Fórmula 1 começa às 14:10 e a de MotoGP às 13:00.

"No documento que enviámos às pessoas fazemos uma sugestão de hora de chegada, em função da bancada e do local de origem", disse ainda.

Para que os eventos sejam um sucesso e tenham continuidade no futuro, Paulo Pinheiro sublinha a necessidade de um envolvimento conjunto.

"Se quisermos ter a Fórmula 1 muitos anos, temos todos de tentar que isso aconteça. É uma situação extraordinária e as regras são importantíssimas para garantir que tudo corre bem", frisou.

A venda de bilhetes decorrerá apenas até 15 dias antes de cada evento.

Nesta altura, a procura de bilhetes é maioritariamente de público português (60 por cento).