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GP de Portimão: o circo veio à cidade e o espectáculo foi ótimo para alguns e criticado por outros

À Tribuna Expresso, Paulo Pinheiro, administrador do Autódromo do Algarve, refuta acusações de incumprimento das regras de distanciamento social e faz balanço positivo do Grande Prémio de Portugal em F1. Mas há relatos de que algumas normas não terão sido cumpridas à risca nas bancadas

João Mira Godinho

Joe Portlock

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“Correu muito bem. Pilotos, equipas e FIA [Federação Internacional do Autóvel] elogiaram a prova. A parte do público, não sendo perfeita, porque se tratou do primeiro evento desta dimensão em Portugal em tempo de pandemia, também foi boa. As pessoas, na generalidade, foram corretas, todas de máscara nas bancadas, com distanciamento entre si”.

O balanço, positivo, é de Paulo Pinheiro, administrador do Autódromo Internacional do Algarve (AIA), onde este fim de semana se realizou o Grande Prémio de Portugal em F1. “Quando estamos a avaliar de um evento com esta dimensão, só me falam do público... e a verdade é que, no geral, o comportamento foi corrreto. Não podemos fazer avaliações pelas imagens que apareceram nas redes sociais. Se são de lado, parece que as pessoas estão aglomeradas, quando existe espaço entre elas”, defendeu Paulo Pinheiro. “No final Jean Todt [presidente da FIA] deu-me os parabéns e disse-me que tinha sido um evento fantástico, uma corrida fantástica”, revelou ainda.

As imagens de aglomerados de pessoas nas bancadas começaram a surgir nas redes sociais ainda no sábado, quando se realizaram os treinos. As regras que impunham um máximo de cinco pessoas por grupo (seis caso fossem famílias) e o distanciamento social não estavam aparentemente a ser cumpridas.

Rapidamente seguiram-se as críticas e o próprio AIA decidiu divulgar imagens aéreas das bancadas, para provar que havia o espaço mínimo exigido entre as pessoas. Ainda assim, foi reconhecido o incumprimento das regras em alguns setores e, para a corrida, no domingo, foi prometido um reforço da fiscalização.

Foi igualmente feita uma redistribuição das pessoas de duas bancadas (Portimão 1 e Portimão 2). “Quando a Direção Geral de Saúde [DGS] definiu o limite máximo de 27 500 pessoas, já tínhamos vendido os bilhetes, e algumas bancas tinham mais do que o permitido, então decidimos recolocar algumas na bancada central para cumprir com as regras”, justificou Paulo Pinheiro.

No total, de acordo com o administrador, estiveram no AIA cerca de 27 700 pessoas, “mais 150 ou 200 do que o definido pela DGS”.

Ok, mas...

A versão de Paulo Pinheiro contrasta com esta. “Eu estive nas bancadas no sábado e estava um absurdo, hoje [domingo] até parecia pior, não havia qualquer tipo de distanciamento”, descreveu ao Expresso um dos voluntários que esteve a trabalhar no AIA, no apoio à organização do Grande Prémio. “A culpa nem é da administração do autódromo ou da GNR, que foi diversas vezes lá obrigar as pessoas a cumprir as regras. O que acontecia era que, quando se iam embora, voltavam todos a juntar-se”, explicou o jovem, que preferiu não ser identificado.

Durante a transmissão da prova, de resto, também pareceu que, em algumas bancadas, havia aglomerações de pessoas para lá do permitido.

Contactada pelo Expresso, no domingo à tarde, fonte oficial da GNR explicou que ainda não tinha um balanço desse dia, mas garantiu que, depois das situações de incumprimento registadas no sábado, tinha sido feito um reforço da fiscalização nas bancadas do AIA.

Já sobre as longas filas de trânsito que se formaram entre a A22 (Via do Infante) e o autódromo, antes do início da corrida, e que também geraram críticas, a GNR aponta o dedo ao comportamento das pessoas: “Como é habitual em grandes eventos, pedimos às pessoas que se deslocassem para o local com antecedência, mas isso não aconteceu e, a partir das 12h00, começaram a surgir as filas”.