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Romain Grosjean e o acidente no Bahrain: “Pensei no Niki Lauda. E depois, pelos meus filhos, disse a mim próprio que tinha de sair dali”

Na primeira grande entrevista depois do grave acidente no GP Bahrain, o piloto francês da Haas admite que viu a morte à sua frente e que no futuro terá provavelmente de procurar ajuda psicológica para ultrapassar o trauma

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Dan Istitene - Formula 1

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Internado no hospital desde domingo, depois do brutal acidente que sofreu no GP Bahrain, Romain Grosjean deu a primeira grande entrevista desde o embate à TF1, onde revelou que viu “a morte perto”.

“Pareceu-me muito mais do que 28 segundos. A minha viseira ficou laranja e comecei a ver as chamas do meu lado esquerdo”, explicou o francês que, apesar do trauma, esteve bem-humorado na entrevista, brincando até com o que chamou de “mãos de Mickey Mouse”, referindo-se às ligaduras que tem à voltas das mãos, onde sofreu queimaduras.

Durante aqueles intermináveis segundos, envolto em fogo, o piloto da Haas diz que pensou “em muitas coisas”, inclusivamente em Niki Lauda, que nos anos 70 sofreu queimaduras graves num acidente em Nurburgring.

“Pensei no Niki Lauda e que não era possível acabar assim, não agora. Não poderia acabar a minha história na Fórmula 1 desta maneira. E depois, pelos meus filhos, disse a mim próprio que tinha de sair dali”, revelou.

Clive Mason - Formula 1

Grosjean disse ainda que Simon, um dos seus três filhos, de cinco anos, acredita que o pai tem “super poderes” e que foi um “escudo mágico de amor” que o protegeu e salvou da morte. “Estava com mais medo por a minha família e amigos do que por mim”, diz, admitindo que o trauma do acidente terá provavelmente consequências no futuro e que pensa pedir ajuda.

“Penso que terei de fazer algum trabalho a nível psicológico porque eu vi a morte à minha frente. Nem em Hollywood se vêm imagens daquelas, foi o maior acidente que vi na minha vida”, diz.

Apesar do choque, Romain Grosjean, que está em final de contrato com a Haas e deixará a Fórmula 1 no final da época, diz que precisa de voltar ao carro e espera estar fisicamente preparado para correr no GP Abu Dhabi, que fecha a temporada.

“Se possível quer voltar em Abu Dhabi, para fechar a minha história na Fórmula 1 de maneira diferente”, frisa o piloto de 34 anos.