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Menos corridas, provas em rotação e em mais países. Poderá ser este o futuro da Fórmula 1?

A Fórmula 1 precisou de se reinventar para 2020 e o mantra poderá manter-se numa futura revisão do calendário. Stefano Domenicali, o novo CEO da disciplina, diz que temporadas mais curtas e rotação entre grandes prémios a cada ano são hipóteses a avaliar

Lídia Paralta Gomes

Bryn Lennon

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A flexibilidade a que a Fórmula 1 foi obrigada para que fosse possível encontrar um calendário para 2020 poderá ter dado bases para o futuro da disciplina, que pondera optar por calendários menos estanques nos próximos anos.

Ainda a conhecer os cantos à casa, Stefano Domenicali, o novo CEO da Fórmula 1, levantou um pouco o véu sobre essa hipótese na primeira grande entrevista desde que chegou ao cargo, depois da saída do norte-americano Chase Carey. À Sky Sports, o italiano, que liderou a Ferrari entre 2008 e 2014, deu a entender que a decisão de aumentar o calendário para 23 corridas poderá não ser a regra, na medida em que tão-pouco é consensual entre a gigante caravana de pilotos, mecânicos, engenheiros e outro staff que viaja pelos diversos continentes com o Mundial de Fórmula 1.

“Vinte e três corridas é um número grande, sem dúvida, em termos de quantidade, atenção e dedicação das pessoas”, admitiu o novo chefe da Fórmula 1. “Há duas posições a esse respeito: há quem acredite que são demasiadas e para outras pessoas não é um problema”.

Quanto à resolução desta questão, a atitude da Fórmula 1 parece ser, de momento, deixar a época correr e tirar conclusões mais tarde. E nessas conclusões poderão estar novas formas de organizar as corridas e o calendário, que seria mais curto e com diferentes grandes prémios de ano para ano.

“Acho que a questão se vai resolver por ela própria. Se nós conseguirmos na mesma dar um produto de grande qualidade, podemos ir para uma situação em que podemos recuar no número de corridas, ter um menor número de provas, talvez com a possibilidade de rotação entre certos grandes prémios, mantendo o foco em diferentes locais”, disse Domenicali, admitindo que essa possibilidade será “pensada com cuidado este ano”, para estar pronta quando “o Mundo estiver normal de novo”.

O regresso do GP Portugal em maio de 2021 é uma hipótese

O regresso do GP Portugal em maio de 2021 é uma hipótese

Dan Istitene - Formula 1

Quanto à temporada de 2021, Stefano Domenicali assegurou que não há preocupação com o cancelamento de provas e que a Fórmula 1 terá de ter uma “atitude de flexibilidade” face à incerteza causada pela pandemia, nomeadamente na primeira parte da temporada. A dois meses do arranque da época, o GP Austrália já foi movido de março para novembro e o GP China saiu do calendário. Imola entrou para abril e o GP Portugal é uma possibilidade para maio.

Domenicali garante que há circuitos de substituição prontos para entrar mas que, para já, não haverá indicações de que mais grandes prémios poderão ser cancelados.

“É claro que temos de ser flexíveis o suficiente para perceber que provavelmente na primeira parte da temporada possamos ter eventos sem público ou com números restritos de fãs”, avisou ainda o italiano, que diz estar em “contacto diário” com os organizadores dos diversos GPs de 2021 e que para já “tudo seguirá como planeado”.