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Portimão, mereces tudo e um par de Bottas

Valtteri Bottas conseguiu a 17.ª pole position da carreira e impediu Lewis Hamilton de chegar à sua 100.ª. A Mercedes voltou a agarrar-se à primeira fila da grelha do Autódromo Internacional do Algarve e igualou a Williams como a terceira escuderia com mais poles na história da Fórmula 1

Diogo Pombo

Dan Istitene - Formula 1

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A ventania influencia, e muito, a cada par de bochecha enchidas de ar e expelidas nos sopros da mãe natureza: a aerodinâmica dos carros é afetada, o aquecimento dos pneus é retardado e a temperatura da pista mais amena. Quem sofre é a vítima usual, a aderência.

Muita gente se vê a rodopiar e a alargar trajetórias indevidas, as rajadas de vento incomodam os pilotos e puxam pela perícia dos engenheiros das equipas que têm como único termo de comparação a corrida do ano passado, primeira vez que a Fórmula 1 parou no Autódromo Internacional do Algarve.

Na beleza cénica de pista, todo o arvoredo e os planaltos em redor e na própria pista a pintarem a boniteza do circuito de Portimão, a qualificação foi seguindo até sobrar apenas a dezena habitual de pilotos na Q3, onde opções tiveram que ser feitas. E, para a derradeira volta apressada ao circuito, Lewis Hamilton optou por sair com os pneus médios das boxes.

Como o fizera em outubro, o inglês apostou no tipo de borracha que a teoria diz demorar mais a ganhar temperatura e assim foi à caça da centésima pole position da carreira que lhe escaparia por 0.007 segundos, o tempo que nem dá para carregar numa tecla mas que chegou para Valtteri Bottas, com os mesmos pneus, se colocar entre o companheiro de equipa e mais um pedaço de história.

O finlandês partirá do primeiro lugar no domingo (15h, Eleven Sports) com o inglês ao lado, a grelha da frente é da Mercedes, tal e qual a corrida de há meses e assim iguala a Williams como a terceira escuderia com mais pole positions na história da Fórmula 1. Terá os dois carros da Redbull, com Esteban Ocon (Alpine) e Lando Norris (McLaren) a intrometerem-se entre os Ferraris.

E para trás, logo no Q1, ficaram Daniel Ricciardo (McLaren) e Lance Stroll (Aston Martin) como as desilusões maiores desta fase de qualificação em Portimão, que mesmo ao lado do circuito teve um desenho em relva aparado com tesouras da história: uma cara gigante, cuja face da esquerda era de Ayrton Senna e a da direita de Lewis Hamilton, aparadas para o céu.

Neste dia há 27 anos morria o piloto brasileiro. Este 1 de maio não foi dia para mais um recorde do inglês. E neste bonito circuito de Portimão apareceu a 17.ª pole position de quem conseguiu acelerar para se colocar entre o companheiro de equipa e a (mais) história.