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Fórmula 1

Hamilton, quem haveria de ser?

Passaram 189 dias desde o primeiro Grande Prémio de Portugal, cuja história guardou um certo piloto inglês que, mais uma vez, acabou com a vitória no Autódromo Internacional do Algarve. O sete vezes campeão mundial conquistou a 97.ª vitória da carreira em Portimão, seguido por Max Verstappen e Valtteri Bottas

Diogo Pombo

Mark Thompson/Getty

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Bendita viseira, não lhe vemos a previsível cara furibunda, mas malfadado monolugar da Alfa Romeo, a corrida arranca e começa a desfazer-se e o alcatrão a ser polvilhado de pedaços do que obedece ao volante de Kimi Räikkönen, logo ele, o rei da indiferença e do laconismo, a ser posto fora do Grande Prémio de Portugal logo no arranque.

Entra o safety car logo à terceira volta e o circuito enche-se de espera, todos esperam que retirem os estilhaços de carro da pista, aguardam outro trio de voltas e voltam a acelerar atrás de Valtteri Bottas, o finlandês da pole position que é a cenoura a fugir diante dos olhos de Lewis Hamilton, desabituado a perseguir um isco.

O inglês cheio de costumes de não ter de perseguir vivalma chega a ter Max Verstappen entre ele e a liderança que só alcança à vigésima volta, na travagem que guardar para tarde de modo a se escapulir por fora do companheiro de equipa. A Fórmula 1 de volta ao costumeiro dos últimos quatro anos.

Ele prolonga, à força, a esperança média de vida dos seus pneus médios, retarda sepultá-los na boxe, quando faz abre caminho para Sergio Pérez liderar a corrida durante umas voltas, também o mexicano adiando o máximo que pode a sua ida à mesa de operações sónicas da modalidade.

Feita a inevitável paragem, Hamilton retoma o trono movido a rodas, o outro Mercedes e os dois Redbull entrelaçam-se atrás do inglês e este quarteto vai ganhando segundos à espécie de pelotão que roda atrás deles. É um fosso cavado com mais segundos a cada volta dada, de onde o quase-destaque foi a escalada de Daniel Ricciardo.

Bryn Lennon/Getty

O australiano da McLaren acelerou para fugir à desilusão de ter encalhado na Q1, chegou a entrar no top-seis, a estória ascensional desta corrida parecia do ilhéu natural da maior ilha que está representada na Fórmula 1, mas a paragem nas boxes não lhe correu nos conformes, acabou a lutar na corda-bamba dos pontos e a ver a ascensão dos elogios ter o cume em Lando Norris, o companheiro de equipa que acabou no quinto lugar.

Os Alpine de Ocon e Alonso dividiriam os indiferentes Ferrari, o de Sainz até sucumbiu a essa indiferença, ultrapassado por Ricciardo e Gasly quase a acabar para ser erradicado do terreno pontuável, já quando Bottas e Verstappen eram os fantoches a serem mexidos pelas respetivas equipas - fizeram-nos parar no último par de voltas, pneus novos com eles, havia que dar tudo para tentar reclamar a passeata mais rápida ao autódromo e o respetivo ponto.

O feito acabou a ser holandês, Max Verstappen conseguiu-o na última das 66 voltas uns meros segundos após a mais magricela das notícias, sem qualquer surpresa colada aos ossos, ver a bandeira axadrezada ser-lhe abanada. Lewis Hamilton ganhou a 97.º corrida da carreira, 189 dias depois de ser o primeiro a vencer em Portimão.

Por o veloz piloto da Redbul exceder um limite de pista, a volta mais rápido foi-lhe retirada e passada a Bottas, pronto, eis a Mercedes com a vitória e os louros da rapidez deixada no circuito e todo o restante paddock a ver, Kimi Räikkönen algures num pouso confortável a regado a bebida a vê-los a todos e Portugal a ver-se como mais um palco demonstrativo da maior evidência atual da Fórmula 1:

Lewis Hamilton e a Mercedes foram feitos um para o outro e para ganharem.