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Uma bola de fogo não era a última memória que Romain Grosjean gostaria de ter dentro de um F1. E não será: francês vai testar com a Mercedes

O prometido é devido e a Mercedes não esquece as suas promessas. Sete meses depois do terrível acidente no GP Bahrain do qual Romain Grosjean se salvou por milagre, o francês vai voltar a conduzir um carro de F1. Nada mais, nada menos que o W10 com que Lewis Hamilton se sagrou campeão mundial em 2019. Vai acontecer no GP França, a 27 de junho, com várias voltas de demonstração. Dois dias depois, Grosjean terá direito a todo um dia de testes

Lídia Paralta Gomes

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Um carro a sair desgovernado contra as barreiras, uma bola de fogo e, intermináveis segundos depois, um homem a sair por entre as chamas. O milagre da salvação de Romain Grosjean foi a mais forte das imagens que os adeptos da Fórmula 1 guardaram da temporada 2020 e para o francês acabou por ser a derradeira: sem volante para 2021 e impedido de correr no GP Sakhir e na season finale de Abu Dhabi devido às queimaduras que sofreu nas mãos, aquele ato heróico de sair de um Haas enfaixado nos rails, partido em dois e consumido pelo fogo seria a sua última memória num Fórmula 1, após 10 temporadas no Mundial.

Sobre isso suspirou Grosjean: ter a sua vida intacta será a melhor sensação do mundo, mas um piloto, quando se despede, quer fazê-lo a competir, em pista, não empurrado por uma fatalidade. E Toto Wolff, o homem forte da Mercedes, estava lá para ouvir o francês.

Ainda Grosjean estava numa cama de hospital no Bahrain quando Wolff lançou para o ar a ideia de oferecer um teste com a Mercedes ao piloto. Esta quarta-feira, a declaração de intenções tornou-se em algo real: a 27 de junho, durante o GP França, Romain Grosjean vai estar aos volantes do W10 com que Lewis Hamilton se sagrou campeão mundial em 2019 para fazer algumas voltas de demonstração no circuito de Paul Ricard. Dois dias depois, exatamente sete meses após o terrível acidente que susteve a respiração de toda a gente no GP Bahrain, o francês de 35 anos terá direito a todo um dia de testes com a Mercedes.

Clive Mason - Formula 1

E ter como última recordação na Fórmula 1 conduzir um dos melhores carros que alguma vez cruzaram as pistas do Mundial será certamente uma forma de encerrar em paz uma carreira com 179 grandes prémios e 10 pódios.

“Vai ser uma oportunidade especial para mim e conduzir um carro campeão da Mercedes será uma experiência única”, disse o piloto, em declarações reproduzidas pelo site oficial da F1. Grosjean esteve na fábrica da Mercedes de Brackley no final de março, onde fez sessões de simulador e ainda os devidos ajustes no assento do W10.

“Fico mesmo muito agradecido à Mercedes e ao Toto pela oportunidade. A primeira vez que ouvi falar da hipótese de conduzir o Mercedes estava numa cama de hospital no Bahrain e Toto fez o convite quando falava à imprensa. Ler essas notícias animaram-me muito”, frisou ainda o piloto, que esta temporada está a fazer parte da época na IndyCar, nos Estados Unidos.

Para Toto Wolff tratou-se de dar a Grosjean uma despedida merecida: “Não queríamos que o acidente fosse a última memória que ele tivesse dentro de um carro de F1. Queríamos assegurar que a sua última memória fosse estar ao volante de um carro campeão mundial”.

O teste de Grosjean será também uma forma de celebrar os avanços tecnológicos na segurança na Fórmula 1, que permitiram que Romain Grosjean escapasse sem lesões graves de um acidente que poucos anos antes teria sido certamente fatal.

“Quando aconteceu o acidente, todos rezámos por ele”, sublinhou Lewis Hamilton, que fará de cicerone ao francês em Paul Ricard. “Estou ansioso por lhe dar as boas-vindas à equipa nesse fim de semana - mas é bom que ele trate bem do meu W10”, brincou ainda o sete vezes campeão mundial.