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Fórmula 1

A Red Bull vai construir o seu próprio motor. E está a roubar engenheiros à Mercedes para o fazer

A equipa austríaca vai tornar-se também construtora de motores a partir de 2025 e está a recrutar na Mercedes. Ben Hodgkinson, chefe de engenharia mecânica dos alemães, foi o primeiro. Esta quinta-feira seguiram-se mais cinco contratações. A guerra na Fórmula 1 vai muito para lá do que se passa nas pistas

Lídia Paralta Gomes

Dan Istitene - Formula 1/Getty

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A guerra entre Mercedes e Red Bull está longe de se fazer apenas em pista. Vencer uma corrida de Fórmula 1 é um trabalho de centenas e centenas de pessoas, espalhadas pelas garagens das equipas a cada grande prémio mas também lá longe, nas sedes e nas fábricas, onde ano após ano o desenvolvimento tecnológico permite ganhar mais umas décimas de segundo. E ganhar umas décimas pode ser a diferença entre ganhar ou perder.

Com o anúncio da saída da Honda no final do ano, a Red Bull ficou órfã de unidade motriz, mas avançou para o seu próximo grande projeto: a partir de 2025, com a entrada de novos regulamentos, vai fazer os seus próprios motores. Uma nova divisão já está a ser construída junto à sede de Milton Keynes e o processo de recrutamento promete abalar algumas das estruturas da Fórmula 1. Nomeadamente nos grandes rivais, a Mercedes.

Em finais de abril, a Red Bull anunciou a contratação de Ben Hodgkinson, nada mais nada menos que o chefe de engenharia mecânica da Mercedes, com 20 anos de experiência na marca alemã, um dos responsáveis pelo sucesso da equipa que é campeã mundial de construtores há sete temporadas consecutivas.

Hodgkinson será o diretor técnico da recém-criada Red Bull Powertrains, mas não será o único empregado da Mercedes a atravessar o lago. Esta quinta-feira, a Red Bull anunciou mais cinco contratações, todos eles com experiência no construtor alemão. Steve Blewett será o diretor de produção e Omid Mostaghimi, até agora um dos responsáveis pelo departamento de electrónica da Mercedes, passa a líder da área na Red Bull. Pip Clode, Anton Mayo e Steve Brodie são outros dos engenheiros que vão mudar de lado.

Christian Horner, team principal da Red Bull, com o seu homólogo da Mercedes, Toto Wolff

Christian Horner, team principal da Red Bull, com o seu homólogo da Mercedes, Toto Wolff

Mark Thompson/Getty

Em comunicado, a Red Bull diz ainda que vai anunciar em breve o novo chefe de desenvolvimento mecânico do projeto.

Para lá do desenvolvimento de uma unidade motriz em nome próprio para 2025, a nova equipa que está a ser montada pela Red Bull tem um objetivo mais imediato: até lá fazer a manutenção e gestão dos motores Honda, cuja tecnologia foi comprada pela Red Bull e que continuarão, por isso, a pulsar dentro dos carros da empresa austríaca de bebidas energéticas, bem como nos AlphaTauri.

Toto Wolff pouco preocupado

Christian Horner, o implacável team principal da Red Bull, já avisou que anda em busca dos melhores para o novo desafio da equipa e a operação de charme feita em plena casa do maior rival mostra que não são palavras circunstanciais.

Algo que, para já, não parece preocupar Toto Wolff, o seu homólogo na Mercedes.

“Vamos perder alguns e ganhar outros”, disse Wolff durante o GP Portugal da semana passada. “Eu percebo a ideia do Christian [Horner]. Quer construir uma estrutura e quando assim é tens de assinar cheques gordos. Se perdermos alguns elementos por causa de dinheiro, se calhar é importante perceber do que é feita a nossa equipa e quais são os valores mais importantes”.

“No fim das contas, eu acredito na filosofia da Mercedes e acredito que somos um bom empregador. É um lugar de grande pressão, mas também é muito divertido. Acho que podemos estar orgulhosos do que temos e confiar nisso”, sublinhou ainda.