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Porque é que Hamilton foi penúltimo no GP Azerbaijão? A culpa é de um “botão mágico”

Na segunda partida em Baku, o sete vezes campeão mundial seguiu em frente na curva 1, depois de atacar a liderança de Sergio Pérez. O que parecia um erro do piloto terá sido afinal causado por um acionar acidental de um botão que controla o comportamento dos travões. Tecnologia a mais às vezes atrapalha

Lídia Paralta Gomes

Dan Istitene - Formula 1/Getty

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Por estes dias, um carro de Fórmula 1 é uma imensa máquina apetrechada das mais impressionantes tecnologias de ponta, onde o talento do piloto parece ser apenas uma pequena parte do sucesso.

E não fosse toda essa tecnologia, talvez a este hora estivéssemos a falar de um pódio de Lewis Hamilton em Baku, ou mesmo de uma vitória, e não de um 15.º lugar, ele que foi mesmo o último a passar a linha de meta do GP Azerbaijão do último domingo, mas beneficiou da penalização de Nicholas Latifi (Williams) para não passar pela humilhação de ver o seu nome na derradeira linha dos tempos.

O piloto da Mercedes comprometeu toda a corrida e a passagem para a liderança do Mundial de pilotos depois de falhar completamente a abordagem à curva 1 do circuito citadino de Baku na partida que se seguiu à bandeira vermelha chamada após o acidente de Max Verstappen. Parecia um erro do piloto, algo muito pouco usual em Lewis Hamilton, mas terá sido, na verdade, um problema com um botão. Um simples botão que o britânico terá ligado de forma não intencional e que mexeu com o comportamento dos travões do carro 44 da marca alemã.

O mesmo foi explicado por Toto Wolff no final da corrida à Sky Sports. “Ele tocou num botão e o balanço dos travões mudou. O equilíbrio dos travões foi todo para a parte da frente e obviamente o carro não parou”, disse o patrão da equipa da Mercedes que, mais do que um erro do piloto, chamou ao incidente “um problema de dedos”.

Às vezes, tecnologia a mais só atrapalha.

Clive Rose/Getty

O tal botão da desgraça, chamado de “botão mágico” no jargão da Fórmula 1, é uma tecnologia que muda o equilíbrio dos travões para as rodas dianteiras, ajudando assim os pilotos a colocar temperatura nos pneus e nos travões durante as voltas de formação ou nos recomeços de corrida após um safety car.

Ao acioná-lo de forma acidental, Hamilton ficou sem travões na parte traseira, pelo que as rodas bloquearam e o sete vezes campeão mundial, que até parecia estar em vantagem em relação a Sergio Pérez na partida, seguiu em frente para a escapatória.

Nos áudios das comunicações entre Hamilton e Peter Bonnington, o seu engenheiro de pista, pode ouvir-se o britânico a perguntar: “Estava com o 'mágico' ligado?”. Do outro lado, “Bono” responde que sim e que Hamilton terá batido nele por engano, ligando-o.

Com tudo isto, Hamilton perdeu uma oportunidade de ouro de se colocar na dianteira do Mundial e Sergio Pérez garantiu a sua primeira vitória com as cores da Red Bull, num pódio inesperado com Sebastian Vettel (Aston Martin) e Pierre Gasly (AlphaTauri). Foi a primeira vez que os dois carros Mercedes não pontuaram desde o GP Áustria de 2018, com Valtteri Bottas a terminar num pouco honroso 12.º lugar, em mais um fim de semana para esquecer para o finlandês.

Apesar da desistência, aparentemente depois do rebentamento de um dos pneus Pirelli do seu Red Bull, Max Verstappen continua líder do Mundial, com 105 pontos, seguido de Hamilton, com 101, e Sergio Pérez, com 69.