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Fórmula 1

Contra os regulamentos, Vettel não tirou a camisola de apoio à comunidade LGBTQ+ durante o hino. No fim, foi tramado pela gasolina

Sebastian Vettel lutou por aquilo em que acredita e chegou à segunda posição no pódio do GP da Hungria. Quando tudo parecia estar a correr da melhor forma, levou uma reprimenda da FIA por não ter respeitado os regulamentos durante o hino do país e foi desclassificado por não ter gasolina suficiente para enviar para amostra

Rita Meireles

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Os últimos dias de Sebastian Vettel têm sido, no mínimo, conturbados. O piloto chegou a Budapeste, na Hungria, na passada quinta-feira, onde, até domingo, decorreu a 11.ª ronda do Mundial de Fórmula 1. Durante os quatro dias, e até depois, o alemão tem tido todos os olhares apontados para si.

Vettel começou por mostrar a sua posição em relação às medidas aprovadas pelo Parlamento húngaro que são consideradas limitadoras da liberdade da comunidade LGBTQ+. O piloto demonstrou estar contra essas medidas através dos arco-íris pintados nas sapatilhas que usou no primeiro dia do evento.

Mas não ficou por aí.

Antes das corridas, os pilotos estão autorizados a vestir camisolas com mensagens à sua escolha. É comum vermos Lewis Hamilton a passar diversas mensagens através da personalização da sua t-shirt ou vários pilotos com a frase “We Race As One”, a campanha lançada pela F1 com o objetivo de combater desafios que o mundo enfrenta, como a luta contra a covid-19 ou pela igualdade.

Desta vez, Vettel optou por manter as cores do arco-íris que já tinha usado no primeiro dia, com as palavras “Same Love” (o mesmo amor) na frente da camisola. O problema, para a Federação Internacional do Automóvel (FIA), é que o piloto não tirou a camisola durante o hino do país em questão. E já foi repreendido.

Segundo os regulamentos, no momento da cerimónia dos hinos nacionais os pilotos têm que remover as t-shirts e ficar com o fato da equipa que lhes corresponde.

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No final, à Sky Sports, Vettel, de 35 anos, mostrou até que ponto está disposto a ir por aquilo em que acredita: "Fico feliz se eles [a FIA] me desqualificarem. Podem fazer o que quiserem comigo, não me importo", afirmou, realçando que faria tudo de novo.

Mas não foi só fora da pista que o passado domingo foi desafiante. Numa corrida atípica, depois de vários pilotos ficarem de fora por causa de um acidente, chegaram ao pódio, por esta ordem, Esteban Ocon, da Alpine, Vettel, da Aston Martin, e Lewis Hamilton, da Mercedes.

Mas, pouco minutos depois, a FIA emitiu um comunicado onde informava sobre a desclassificação do piloto alemão por não ter gasolina suficiente para fornecer a amostra - 0,3 litros foi o máximo que conseguiram retirar do carro de Vettel, sendo que, segundo os regulamentos, é necessário um litro, em qualquer momento da corrida.

Após esta informação, o pódio passou a ter Hamilton na segunda posição e Carlos Sainz, da Ferrari, na terceira.

Entretanto, a Aston Martin já recorreu da decisão. Esta segunda-feira a FIA emitiu a classificação final do Grande Prémio da Hungria, com Vettel desclassificado, mas a decisão em relação ao recurso ainda não foi tomada.

A pausa de verão da Fórmula 1 começou no passado domingo, mas entre a FIA e a Aston Martin há ainda muita coisa a ser discutida. Os pilotos regressam no próximo dia 27 de agosto, para o Grande Prémio da Bélgica.