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Fórmula 1

Max Verstappen vence em casa, na interminável procissão de Zandvoort (e com desaguisados na Mercedes à mistura)

Num circuito em que as ultrapassagens não são exatamente fáceis, a Mercedes tentou bater a Red Bull na estratégia mas a resposta da equipa austríaca foi rápida e eficaz. A vitória de Max Verstappen no GP Países Baixos, de regresso ao Mundial 36 anos depois, nunca esteve em risco e o holandês está de regresso à liderança do campeonato

Lídia Paralta Gomes

Rudy Carezzevoli

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Não é que não estivéssemos avisados: o banking da pista de Zandvoort dá umas belas imagens televisivas, umas fotos brilhantes, voltas de qualificação palpitantes, mas poucas oportunidades de ultrapassagem, logo, uma corrida previsivelmente chata.

Com poucas oportunidades de lutar em pista, um carro menos competitivo e Max Verstappen na pole, a Mercedes sabia que só lá iria na estratégia: Lewis Hamilton parou cedo, obrigando a Red Bull a uma resposta rápida, chamando também Verstappen para a box e colocando assim o holandês numa estratégia também de duas paragens, evitando o undercut. E com Valtteri Bottas incapaz de segurar o ritmo do homem da casa durante o tempo em que foi provisoriamente líder, ficou impossível para Hamilton conseguir ganhar posição em pista a Max.

A segunda paragem de Hamilton chegou talvez demasiado cedo e, com uns pneus médios já usados, o britânico ainda conseguiu aproximar-se de Max, mas nunca esteve em posição de lutar pela vitória. A vantagem esteve sempre do lado da Red Bull, que soube responder rapidamente às surpresas da Mercedes - para lá que ajuda ter um carro e um piloto capazes de, em ritmo de corrida, não permitir qualquer frescura aos rivais.

E assim sendo o GP Países Baixos, de regresso ao calendário 36 anos depois, foi quase sempre uma bela procissão de carros de alta cilindrada, com poucos duelos em pista, poucas ultrapassagens, acompanhados por fãs loucos, barulhentos e coloridos que no final ainda receberam de presente a vitória do seu menino, imperial, impassível e cuja vitória o coloca de novo na liderança do Mundial.

ANP Sport

Com a luta pela vitória rapidamente anulada pela Red Bull, interessante mesmo só o duelo pelo 6.º lugar, entre Carlos Sainz (Ferrari) e Fernando Alonso (Alpine), que ninguém viu porque a realização estava nesse momento mais preocupada com a frente da corrida, onde tudo já estava decidido. O mais veterano dos espanhóis, que continua uma máquina de competição, fez um arranque brilhante, utilizando a inclinação da curva 3 para ultrapassar dois rivais, e depois geriu a corrida até à luta final com o compatriota.

Drama mesmo só no folhetim da Mercedes no final da corrida, a chamar Bottas à box para permitir a Hamilton manter a volta mais rápida e ficar com margem para também ele parar em caso de necessidade de ter de defender o ponto da volta mais rápida. O finlandês, claro, não gostou de ser usado, muito menos de ouvir o seu engenheiro dizer-lhe que a sua paragem se devia a uma “vibração no pneu” e ignorou o pedido de James Vowls, chefe da estratégia da Mercedes, para abortar a tentativa de volta mais rápida. Isso obrigou a Mercedes a, no limite, chamar Hamilton à box para lhe colocar pneus macios - o britânico conseguiria mesmo na última volta roubar o ponto a Bottas, com os dois Mercedes a fazerem 2.º e 3.º na prova.

Com isto tudo, parece mais que líquido que em 2022 o segundo Mercedes será conduzido por George Russell.

Boa corrida também para Pierre Gasly que, como um juiz numa boa arbitragem, mal se viu, levando o Alpha Tauri ao 4.º lugar. O mesmo para Charles Leclerc, numa corrida tranquila para o monegasco, a terminar em 5.º.

Segue-se o GP Itália, já na próxima semana, na catedral da velocidade de Monza.