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Fórmula 1

Mercedes vs. Red Bull. Após o GP do Brasil “a diplomacia acabou”

A prova de que a batalha pelos títulos do Mundial de Fórmula 1 está cada vez mais próxima do fim é o facto de a tensão entre as equipas rivais do topo da tabela estar cada vez mais presente nos fins de semana de corrida. No Brasil não faltaram polémicas

Rita Meireles

Clive Mason - Formula 1

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A Fórmula 1 tem o campeonato de pilotos, o campeonato de construtores e, ao que parece, um campeonato extra que consiste na troca de acusações entre os rivais do topo da tabela. Esta espécie de “Mercedes diz, Red Bull diz” atingiu um novo nível no Grande Prémio do Brasil, do passado fim de semana, que fica assim na frente na corrida pelo título de um dos mais controverso dos 23 eventos da temporada.

Lewis Hamilton assinou uma das melhores prestações da sua carreira, contra todas as probabilidades. O piloto inglês passou por uma desclassificação na qualificação para a corrida de sprint e uma penalização de cinco posições na corrida principal. No final, Lewis voltou ao primeiro lugar do pódio e Max Verstappen terminou na segunda posição, com a diferença de pontos entre os dois a estar agora nos 14, com o neerlandês ainda a liderar a luta pelo título.

No ping pong de acusações, a Red Bull questionou o novo ritmo do sete vezes campeão do mundo. Na passada sexta-feira, a Mercedes confirmou que Hamilton iria correr com um novo motor, o que resultou numa penalização de cinco posições para a corrida, mas também numa prestação bastante diferente do que tinha apresentado na etapa anterior, no México.

Nas 71 voltas do GP, Hamilton começou na 10.ª posição, chegou ao segundo lugar na volta 19 e ultrapassou o rival na 59. No final da corrida estava 10.5 segundos à frente de Verstappen.

Christian Horner, chefe de equipa da Red Bull, mostrou-se surpreendido com a velocidade que o carro atingiu, principalmente nas retas: “Não vamos protestar nesta corrida”, garantiu em declarações à Sky Sports, considerando, ainda assim, importante “compreender de onde veio a velocidade” da equipa rival.

Horner acabou por dar algumas dicas sobre a asa traseira do carro da Mercedes, que foi, aliás, uma das grandes protagonistas do fim de semana.

Mark Thompson

Hamilton foi desclassificado da qualificação de sexta-feira depois de a FIA ter descoberto uma infração do DRS do seu carro. Mas antes desta decisão ser publica, Verstappen foi visto a rondar o monolugar do piloto britânico, chegando mesmo a tocar na asa traseira, o que não é permitido. Dadas as desconfianças da Red Bull em relação a esse componente do carro, a Mercedes acabou por usar Verstappen como contra argumento na discussão da penalização de Hamilton. No final, o neerlandês levou uma multa de 50 mil euros por ter tocado no carro do rival.

Toto Wolff, chefe de equipa da Mercedes, acabou por confessar que achou que a penalização ao seu piloto era uma brincadeira, uma vez que nada foi intencional e, na sua opinião, o erro deu mesmo uma desvantagem a Hamilton. Ainda assim, a Mercedes não recorreu da decisão e viu o seu piloto subir 15 posições na corrida de sábado: Hamilton começou em 20.º, terminou em 5.º. Com a penalização por causa da troca de motor, o sete vezes campeão mundial começou a corrida principal em 10.º lugar na grelha.

Incidentes dentro e fora da pista

A determinada altura da corrida já só se esperava o momento em que Hamilton iria chegar perto de Verstappen e tentar a ultrapassagem. Quando esse momento chegou, os dois pilotos acabaram fora da pista e o piloto da Red Bull conseguiu regressar em primeiro.

Verstappen empurrou Hamilton para fora da pista para manter a vantagem ou não? Deveria receber uma penalização? Estava instalada a discussão.

A FIA optou por não investigar o incidente mas, em declarações ao website Motorsport.com, Michael Masi, diretor de corrida, confessou não ter tido acesso às imagens ‘on board’ do carro de Verstappen: "Não, apenas as imagens da transmissão ao vivo. Como disse anteriormente, é basicamente isso que temos acesso".

Toto Wolff mostrou-se descontente com a decisão, que considerou “de rir”.

“O Lewis não quis comentar, mas eu gostaria. Brilhante corrida, o Lewis foi super inteligente ao evitar o contacto, por isso foi óptimo ver estes dois super pilotos. Mas não lhe dar cinco segundos [de penalização] ou assim? Vá lá”, disse Wolff, defendendo que Verstappen deveria ter sido castigado.

Do lado da Red Bull, o incidente não foi visto da mesma forma. Em comunicação com a Masi durante a corrida, ouviu-se Jonathan Wheatley, diretor desportivo da equipa, dizer: “Michael, isto é deixá-los correr”.

No final, de um lado fica no ar a possibilidade de a Red Bull ainda ter algo a reclamar em relação à asa traseira da Mercedes, do outro a certeza de que, para Wolff, “a diplomacia acabou”

“Penso que acabámos de levar muitos murros na cara, com decisões que poderiam ter balançado para ambos os lados, contra nós ou a nosso favor. Quando as decisões balançam sempre contra nós, é apenas algo que me irrita, e eu vou defender a minha equipa e os meus pilotos do que vier. Tenho sido sempre muito diplomático na forma como discuto as coisas. Mas a diplomacia acabou hoje", garantiu Wolff aos jornalistas após a corrida.

Pool

A três corridas do final do mundial de Fórmula 1, Verstappen segue em primeiro com 332.5 pontos e Hamilton em segundo com 318.5. Em relação ao título de construtores, neste momento é a Mercedes que lidera com 521.5 pontos, a Red Bull está no segundo lugar com 510.5.

A próxima corrida está marcada para o próximo fim de semana, no Catar.