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Fórmula 1

No GP Catar, Lewis Hamilton dá voz pelos direitos humanos e pede mais ao desporto: “Estes lugares precisam de ser escrutinados”

Lewis Hamilton foi ao Catar para competir pelo título mundial de Fórmula 1, mas uma vez num país onde a homossexualidade é crime, decidiu juntar mais um fim de semana à corrida pelos direitos humanos, dando voz à comunidade LGBTQ+

Rita Meireles

Dan Istitene - Formula 1

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Há cerca de uma semana, Magda Eriksson, jogadora do Chelsea e da seleção sueca, disse considerar que os jogadores de futebol que vão marcar presença no Mundial de 2022, no Catar, só têm duas opções: “Ou se boicota [a competição] completamente ou vão lá sem fazer segredo daquilo que defendem”. Se Lewis Hamilton a ouviu ou não, não sabemos, mas a verdade é que levou as palavras da jogadora à risca no que à sua modalidade diz respeito.

No primeiro dia de treinos livres da primeira edição do Grande Prémio do Catar, o sete vezes campeão do mundo surgiu com um novo capacete, decorado com as cores do arco-íris, que representa a comunidade LGBTQ+. Isto num país onde a lei considera que a homossexualidade é um crime.

"Estamos cientes de que há problemas nestes lugares para os quais vamos", garantiu o piloto da Mercedes. “Mas é claro que [o Catar] parece ser considerado como um dos piores nesta parte do mundo. À medida que o desporto vai para estes lugares, tem o dever de aumentar a sensibilização para estas questões. Estes lugares precisam de ser escrutinados. A igualdade de direitos é uma questão séria”.

Esta não é a primeira vez que o piloto usa a sua voz para virar as atenções para grupos que têm vindo a sofrer algum tipo de discriminação, realçando a necessidade de que os direitos humanos sejam uma realidade para todos. Para o piloto, o desporto e os atletas podem ter um grande impacto na luta pela igualdade.

“Se vamos a esses lugares, temos que dar visibilidade à situação. Uma pessoa só consegue fazer uma pequena diferença, mas coletivamente podemos ter um impacto maior. Se desejo que mais desportistas se pronunciem sobre estas questões? Sim”.

Hamilton considera que se trata de “se educarem, responsabilizar mais o desporto" e certificarem-se de que o "desporto está realmente a fazer algo quando vão a esses lugares”.

Sebastian Vettel é outro piloto que já se mostrou descontente com a situação no Catar. Depois da notícia de que a corrida iria marcar presença no calendário durante os próximos 10 anos, lançada no passado mês de setembro, o piloto não escondeu a preocupação pelo caminho que a modalidade está a escolher.

“Penso que a dada altura é preciso fazer a pergunta, e os responsáveis devem fazer a si próprios a pergunta: têm alguma moral? Portanto, dizem não a certas coisas? Ou apenas dizem sim a qualquer grande acordo que esteja ao virar da esquina, mas pelas razões erradas? Penso que essa é a grande questão que os responsáveis acabam por ter de se colocar a si próprios”, disse Vettel ao website Motorsport.com. O alemão também apresenta este fim de semana um capacete especial, também com um pormenor na parte traseira com a bandeira do arco-íris e a mensagem "Mudar o mundo, passo a passo".

A corrida no Catar está marcada para o próximo domingo, mas antes disso há ainda a qualificação e o terceiro treino livre, no próximo sábado. Em todos eles, Hamilton vai atrair as atenções para o que se passa no país. Além de continuar na luta pelo título, assim como Max Verstappen, piloto da Red Bull.