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Quatro razões para seguir o Suécia-Holanda, a outra meia-final do Mundial feminino que será provavelmente o mais visto de sempre

Depois dos EUA derrotarem a Inglaterra (2-1) e garantirem presença na final do Mundial feminino (marcada para domingo, em Lyon), é a vez de Suécia e Holanda disputarem a outra meia-final da prova, num jogo que vale a pena seguir, às 20h, na RTP2 - a Tribuna Expresso explica-lhe porquê

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A sueca Sofia Jakobsson e a holandesa Lieke Martens vão defrontar-se no Mundial feminino

CHRISTOPHE SIMON

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1. Este é provavalmente o Mundial mais visto de sempre

É certo que a competição ainda não acabou e ainda não se compilaram todos os números, mas os sinais são claros:

- 11.7 milhões de pessoas viram a meia-final entre EUA-Inglaterra (2-1), terça-feira à noite, no Reino Unido, o que fez da transmissão a mais vista do ano (!), além de quatro dos jogos ingleses integrarem o top 10 de jogos de futebol mais vistos do ano;

- os oitavos de final entre Brasil e França rebentaram as audiências de jogos femininos nos respetivos países: 35 milhões de pessoas viram o jogo no Brasil; 10.6 milhões viram o jogo em França;

- os oitavos de final entre Holanda e Japão foram vistos por 3.54 milhões de pessoas na Holanda, o que fez do jogo o 4º evento desportivo mais visto do ano - e há aqui outro pormenor interessante: a final da Liga das Nações masculina, entre Portugal e Holanda, teve "apenas" 3.2 5 milhões de holandeses a assistir.

Citando Lynsey Douglas, responsável pelo desporto feminino na Nielsen, empresa que mede audiências globalmente, em declarações ao "The Guardian": "As audiências neste Mundial têm batido recordes um pouco por todo o mundo, com muita cobertura em canal aberto a atrair milhões de pessoas. Antecipamos claramente que este será o torneio feminino mais visto da história".

Conclusão: se lhe disserem que o futebol feminino não interessa a ninguém, se calhar é melhor começar a desconfiar dessa frase.

2. A outra laranja mecânica

Erwin Otten/Soccrates

Quando o Euro 2017 começou, ninguém dava nada por elas. Mas as anfitriãs do torneio foram crescendo de tal forma que acabaram a conquistar a prova, pela primeira vez. A Holanda, liderada por Sarina Wiegman (leia AQUI a entrevista da Tribuna Expresso à selecionadora holandesa), encantou então os adeptos locais (no ponto 4. pode ver exatamente o quão encantados ainda estão) pela predominância do jogo ofensivo e, claro, pela conquista do troféu, particularmente numa altura em que a seleção masculina passava por dificuldades, nem sequer conseguindo o apuramento para o Mundial.

Dois anos depois, não sendo ainda uma favorita, a Holanda chegou ao Mundial já com um estatuto bem diferente do que em anos anteriores, mas a pressão não foi exatamente benéfica para Lieke Martens, Vivianne Miedema e companhia, que abanaram nos primeiros jogos (uma vitória já nos descontos frente à Nova Zelândia, 1-0; uma vitória pouco convincente frente aos Camarões, 3-1; e uma vitória sofrida frente ao Canadá, 2-1). "Na Holanda disseram que esperavam que conquistássemos o Mundial e isso pressionou-nos. Nos primeiros jogos não jogámos o nosso melhor futebol, mas conseguimos nove pontos no grupo e estamos nas meias-finais agora, portanto acho que podemos dizer que já voltámos a entrar nos eixos", assegurou Miedema, a melhor marcadora holandesa - já conseguiu três golos em França e passou a ser a melhor marcadora da história da seleção, com 61 golos, aos... 22 anos.

Nos oitavos de final, as holandesas eliminaram o Japão - finalista vencido no último Mundial -, por 2-1, com um dos golos a ser marcado com o calcanhar de Martens, jogadora do Barcelona.

3. Hora da vingança sueca (ou não)

No que ao futebol feminino diz respeito, as nórdicas são sempre as mais experientes da coisa, pelo que não é nenhuma surpresa encontrar a Suécia nas meias-finais: em 2003 foram finalistas vencidas do Mundial e em 2011 acabaram em 3º lugar - e, em 2016, conquistaram mesmo os Jogos Olímpicos.

Depois de ultrapassarem Chile e Tailândia na fase de grupos - só perderam com os EUA, 0-2 -, as suecas eliminaram o Canadá (1-0) e surpreenderam meio mundo ao derrotarem, já nos quartos de final, as alemãs (2-1), claras favoritas a chegar à decisão final.

Agora, é a vez da seleção liderada por Peter Gerhardsson encontrar a Holanda, num duelo que não traz grandes memórias aos suecos. É que, nos quartos de final do Euro 2017, a Holanda venceu a Suécia, com os golos a serem marcados pelas duas grandes figuras das campeãs europeias: Martens e Miedema.

Ainda assim, essa Suécia já não é bem esta Suécia - Gerhardsson só entrou após o Euro e o estilo de jogo da equipa sofreu algumas alterações. "A final entre Holanda e Dinamarca no Euro e o futebol que as holandesas jogaram é muito próximo do futebol em que nós acreditámos", disse, antevendo o jogo. "Acho que vai ser uma meia-final fantástica e vai ser divertido ver se conseguimos derrotar um dos meus países preferidos no que diz respeito ao futebol, tanto no masculino como no feminino".

4. Os adeptos fervorosos

Se não conhece os adeptos holandeses que estão em França, basta que veja o vídeo abaixo para perceber esta "onda laranja".

Por onde a seleção holandesa passa, a festa tem sido semelhante, com milhares de adeptos a encherem as ruas, num ambiente de festa saudável - não há registo de quaisquer incidentes na prova.

Desde que a Holanda se sagrou campeã europeia, em casa, tem sido recorrente ver estádios completamente cheios no apoio à seleção - e é precisamente isso que tem acontecido no Mundial, nas ruas e nas bancadas.