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Futebol feminino

Não houve Rapinoe, nem Morgan. Houve ainda uma diferença abismal

A seleção nacional de futebol feminino foi aos EUA como convidada de honra da Victory Tour, digressão que as poderosas campeãs mundiais estão a fazer entre portas. Portugal perdeu por 4-0, houve oportunidades para sofrer bastantes mais golos e, mesmo sem as duas grandes estrelas, as americanas vincaram as diferenças que existem em dois mundos opostos

Diogo Pombo

Icon Sportswire/Getty

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Há que ter em conta o porquê de os EUA terem feito isto.

A seleção feminina ganhou, nem há dois meses, o Campeonato do Mundo, provou mais uma vez que é a melhor equipa do planeta porque, mesmo quando não ganha, fica lá muito perto. E queria assinalar o feito. Em formato muito americano, portanto, inventou uma Victory Tour, espécie de volta olímpica da vitória para se pôr a jeito de receber aplausos em várias paragens: California, Philadelphia, Minnesota, North Carolina e Chicago.

Partindo do princípio teórico que, conquistado o Mundial, qualquer adversário escolhido seria mais fraco, convidar Irlanda, Coreia do Sul e Portugal foi uma estratégia para ajudar a que ela ganhassem, sem grandes prantos, os cinco jogos diante do público que teve de as ver serem conquistadoras à distância (o título foi ganho em França). Aqui entra Portugal, que na madrugada desta sexta-feira esteve no primeiro de dois jogos contra os EUA.

As portuguesas foram históricas, desde logo, porque jogaram diante de 49,504 pessoas, a maior assistência de sempre num jogo caseiro da seleção dos EUA, em que o público vibrou e vociferou a cada jogada minimamente perigosa que as americanas conseguiam ligar. Ou seja, fervilhou muito.

Porque entre as americanas profissionais, intensas, fisica e tecnicamente milhas à frente, e as portuguesas com outra quilometragem, que jogam a rotação e ritmo diferentes, ainda há um fosso cavado. Mesmo sem a desbocada e interventiva Megan Rapinoe, captadora de prémios e atenções no Mundial, e a veloz e goleadora Alex Morgan, avançado de referência da equipa, os EUA controlaram e dominaram o jogo, jogando-o de uma maneira que não está ao alcance de Portugal.

Mitchell Leff/Getty

Marcaram quatro golos (Press, Lloyd x2 e Long), tiveram um anulado e criaram jogo atacante para mais, caso não falhassem na finalização e as portuguesas não cortassem, na área, o último passe. A seleção de Francisco Neto teve pouca bola em meio campo contrário antes do intervalo e, depois, subiu as linhas de pressão, tentou explorar mais o arrojo de Jéssica Silva e ter mais posse com Andreia Norton. Mas nem por isso logrou ameaçar a baliza.

A rotação, a intensidade, os ritmos e a forma de executar tarefas simples - a força e precisão com que as centrais americanas filtram os primeiros passes, por exemplo - ainda separam, e muito, as duas seleções.

E mais notórias são essas diferenças quando a maior parte das jogadoras portuguesas ainda estão em regime de pré-época e as americanas apenas fizeram uma breve pausa na competição que já tiveram, logo no pós-Mundial, na liga profissional dos EUA. O físico acentuou o que a técnica já separava.

O segundo jogo para receber estas diferenças será na madrugada de quarta-feira (1h, Canal 11).