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Justiça dos EUA não dá razão às 28 jogadoras da seleção que se queixaram de desigualdade de pagamento

Há pouco mais de um ano, 28 futebolistas da seleção feminina dos EUA apresentaram uma queixa contra a federação do país, alegando discriminação de género e apelando à igualdade de prémios de jogo. Este sábado, um juiz rejeitou as queixas de que as jogadores são sistematicamente mais mal pagas do que a seleção masculina. "Nunca vamos parar de lutar pela igualdade", já garantiu Megan Rapinoe, capitã da equipa e principal cara e voz da campanha

Diogo Pombo

Icon Sportswire/Getty

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Em março de 2019, dava entrada na justiça dos EUA um processo contra a Federação Americana de Futebol, no qual a principal queixa consistia na alegação de que as jogadores eram "consistentemente mais mal pagas do que os jogadores masculinos", apesar de "a sua prestação ser superior e, inclusivamente, terem sido campeãs do mundo".

Era factual: o país nem se qualificara para o Mundial masculino, jogado em 2018, na Rússia, mas, em 2015, agarrou-se ao troféu do Campeonato do Mundo feminino.

Na queixa, umas linhas abaixo, liam-se os nomes das 28 signatárias do processo que acusava a federação de "ter uma política e prática de discriminação de género contra membros da seleção feminina". Entre Alex, Megan, Becky, Carli, Morgan, Jane, Danielle, Arby, Tierna, Crystal, Julie, Adrianna, Ashlyn, Tobin, Lindsey, Rose, Allie, Jessica, Samantha, Alyssa, Kelly, Christen, Mallory, Casey, Emily, Andi, Merritt e McCall, apenas cinco não estiveram em França, uns meses em diante, a conquistarem o segundo Mundial de futebol feminino consecutivo para os EUA.

Ouviram palmas à proeza óbvia e arrancaram elogios à supremacia provada em campo, e, como fundo, a música que sempre tocava em qualquer menção à equipa, pergunta, intervenção ou constatação era a de que estavam a jogar e a ganhar pelo EUA, mas jogavam e ganhavam a pago de uma federação contra a qual tinham um processo judicial em curso. E, na sexta-feira, ficaram a saber que a justiça americana não lhes deu precisamente no ponto que mais advogaram.

O Tribunal da Califórnia, onde o caso foi julgado, não considerou válidos os argumentos apresentados pelas jogadoras. Escreve o "New York Times" que o juiz Gary Klausner a federação americana provou que a seleção feminina terá, até, recebido mais dinheiro "em termos cumulativos e, em média, por jogo" em comparação com a seleção masculina, durante o período tido em conta no processo.

Apesar de não dar razão às jogadores na queixa de discriminação de género, o juiz deu procedência às queixas relativas à desigualdade de tratamento em viagens, condições de treino ou alojamento, por exemplo. O julgamento sobre essas matérias começará a 16 de junho.

Mas as jogadoras, cada vez mais vocais e críticas publicamente desde abril de 2016 - quando surgiu a primeira de várias queixas judiciais -, afirmaram que não vão desistir e irão recorrer da decisão em tribunal.

Alex Morgan, vice-capitã da seleção no último Mundial, afirmou estar "desiludida" com a decisão, garantindo que "não vai desencorajar" as futebolistas na luta pela igualdade. Christen Press disse que "vão continuar na luta". Tobin Heath respondeu que "esta equipa nunca desiste e não vai começar agora a fazê-lo".

E Megan Rapinoe, a capitã, a melhor jogadora do mundo para a FIFA e a cara mais mediática da causa, usuária do carisma que tem e da popularidade que ganhou para, em cada intervenção pública, falar sobre o assunto, apenas escreveu: "Nunca vamos parar de lutar pela IGUALDADE".