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Futebol feminino

Jogadoras unem-se em protesto contra o teto salarial imposto pela FPF: "viola, drasticamente, o princípio da igualdade"

A 29 de maio, a FPF anunciou que as equipas da primeira divisão de futebol feminino passarão a ter nos 550 mil euros um limite do que podem pagar aos plantéis, numa competição que não é profissional. Centenas de jogadoras, entre elas dezenas de internacionais portuguesas, incluindo Cláudia Neto, capitã da seleção, protestam contra a medida que classificam de "avassaladoramente violadora dos seus direitos individuais enquanto jogadoras de futebol". Fonte oficial da federação diz que quaisquer propostas de alteração aos regulamentos "serão analisadas e terão resposta"

Diogo Pombo

D.R.

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Basta ir ao Instagram e dedilhar o caminho até à página "Futebol Sem Género". Não há nomes nas informações, nenhuma cara à vista, mas uma mensagem saliente: "Por um FUTEBOL onde o género dominante é o RESPEITO".

É uma coisa recente, apenas se vê uma publicação feita, mas, clicando na parte que dá acesso às stories da página, tem-se acesso ao quão apoiada, por tão partilhada estar a ser, a causa que levou à criação desta iniciativa - ser "contra o teto salarial no futebol feminino em Portugal".

A mensagem de Ana Lopes, jogadora do Benfica, é a primeira a ser partilhada. "Lutei anos para fazer o que mais amo, para jogar futebol, para evoluir cada vez mais, numa luta de gerações. Contra toda a discriminação, contra todo o preconceito, eu lutei para chegar onde estou. É devastador e vergonhoso, em pleno século XXI, ter que lutar contra a criação de um teto salarial no futebol feminino em Portugal", escreveu.

De seguida, a publicação da página é partilhada por internacionais portuguesas como Ana Borges, Fátima Pinto, Patrícia Morais, Tatiana Pinto, Rita Fontemanha, Ana Capeta ou Carole Costa, todas do Sporting, por Raquel Infante e Sílvia Rebelo, do Benfica, por Dolores Silva e Regina Pereira, do Braga ou por Solange Carvalhas, do Famalicão. Também Cláudia Neto, capitão da seleção nacional que joga no Wolfsburgo, subscreveu o protesto.

Todas são contra o teto salarial de 550 mil euros por plantel que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anunciou, a 29 de maio, para todas as equipas da Liga BPI (primeira divisão), uma competição que não é profissional. Justificou-o com as consequências da pandemia de covid-19 e a "necessidade de garantir o equilíbrio dos clubes e a estabilidade da competição".

Não existe qualquer limitação salarial para as competições profissionais de futebol masculino em Portugal.

Em comunicado, o movimento argumenta que os motivos alegados pela FPF para impor um teto salarial são "eticamente censuráveis" e "total e ostensivamente discriminatórios". Descrevem a medida como "avassaladoramente violadora dos seus direitos individuais enquanto jogadoras de futebol" e questionam a federação: "Como pode a FPF arrogar-se como defensora da igualdade e da indiscriminação quando viola deste modo a promoção da igualdade de género?".

As jogadoras criticam a FPF por "violar, drasticamente, o princípio da igualdade de tratamento entre homens e mulheres" e apontam a sua intenção - querem ver a federação a "eliminar, antes que seja tarde, tal normativo que estabelece um Salary Cap exclusivo para o futebol feminino".

À Tribuna Expresso, fonte oficial da federação disse apenas que "os regulamentos de todas as provas" a cargo da entidade "estão em consulta pública" e "as sugestões de alteracões serão analisadas e terão resposta".

O protesto foi igualmente partilhado por várias futebolistas estrangeiras a atuarem em Portugal, como Dani Neuhaus e Darlene Reguera, ambas internacionais brasileiras ao serviço do Benfica, Nevena Damjanovic, internacional sérvia e capitã do Sporting, Carlyn Baldwin, americana que também joga na equipa feminina dos leões, ou Hannah Keane, avançada também norte-americana do Braga.

[artigo atualizado às 17h52 com as declarações de fonte oficial da FPF.]