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Diretora do futebol feminino da FPF: "Não existe qualquer regulamento que discrimine por género. Não existe um teto salarial"

Mónica Jorge, diretora da Federação Portuguesa de Futebol para o futebol feminino, escreve, este sábado, um texto de opinião no jornal "A Bola" no qual nega a existência de qualquer discriminação com as jogadoras ou limite salarial, defendendo que "os clubes são livres de fazer os contratos que entenderem". A dirigente refere, ainda, que a medida, alvo do protesto do movimento "Futebol Sem Género", composto por quase 140 jogadoras, "foi tomada porque o campeonato feminino é a prova sénior mais desequilibrada do futebol português"

Diogo Pombo

Gualter Fatia

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Lê-se, no artigo 93.º do Regulamento da Liga BPI para 2020/21, que "face às circunstâncias excecionais decorrentes da pandemia COVID-19 e à necessidade de garantir o equilíbrio dos clubes e a estabilidade da competição, é estabelecido o limite máximo de 550 mil euros para a massa salarial das jogadores inscritas na temporada 2020/21" e que se entende "por massa salarial do plantel a soma dos salários e/ou subsídios declarados no contrato de cada jogadora".

Este sábado, no jornal "A Bola", a diretora da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para o futebol feminino escreve um artigo de opinião, no qual cita a mesma medida para defender que "não existe qualquer teto salarial" como "resulta claro da leitura do artigo". Mónica Jorge indica que "os clubes são livres de fazer os contratos que entenderem com as jogadoras".

Desde que não ultrapassem os 550 mil euros brutos de massa salarial, que é "a soma dos salários e/ou subsídios declarados no contrato de cada jogadora".

A 29 de maio, em entrevista à "Globoesporte", do Brasil, no dia em que o teto salarial foi anunciado, Mónica Jorge disse que "é uma questão que está sendo discutida ainda com os clubes", então explicando que "nada é feito sem parceira dos clubes, nada é feito sem opinião, aval desses clubes".

A dirigente escreve, no início do artigo, que a FPF "não faz regulamentos sobre homens ou mulheres" e "todos os anos analisa as suas competições, em conjunto com as associações e parceiros da classe, e introduz alterações". E logo defende: "Não existe, pois, qualquer regulamento que discrimine por género. Nem podia haver".

Mónica Jorge lembra, depois, outras alterações que a federação introduziu no futebol feminino - limite do número de jogadores inscritas por plantel, medidas de controlo para garantir que os clube cumpre os compromissos assinados com jogadoras ou o aumento do número de jogadoras formadas localmente na ficha de jogo. Até chegar à medida "transitória" que é alvo do protesto de 132 jogadoras, unidas no movimento "Futebol Sem Género".

A dirigente da FPF argumenta que a medida foi tomada "porque, infelizmente, o campeonato feminino é a prova sénior mais desequilibrada do futebol português". É uma competição que "precisa de ser constantemente melhorada e justifica a introdução de medidas que aproximem as equipas no campo". Explica, também, que "a base ainda é frágil" pois em Portugal "jogam pouco mais de mil jogadoras seniores" e "apenas cinco clubes inscreveram jogadoras profissionais na época passada".

Mónica Jorge garante, ao terminar, que a federação "nunca hesitou em tomar medidas que promovam o desenvolvimento de um setor com especialidades e necessidades próprias" e que o fez "sempre depois de prestar atenção à opinião dos intervenientes". E deixa uma garantia - "assim continuará a ser".

O grupo de 132 jogadores já enviou um Direito de Resposta à FPF, porque acreditam que a medida do teto salarial "é discriminatória e como tal violadora do princípio da igualdade".

[artigo corrigido às 18h14, na citação inicial do Regulamento da Liga BPI para 2020/21, que não faz qualquer referência ao valor do limite salarial ser ilíquido.]