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Futebol feminino

Jogadoras criticam "o lado errado da História" em que o presidente do Sindicato "se posicionou para granjear as boas graças da FPF"

O movimento "Futebol Sem Género" lamentou que a Federação Portuguesa de Futebol tenha decidido retirar a medida do teto salarial para as equipas do futebol feminino "alegando o clima de intranquilidade gerado" e não as "violações crassas dos direitos das jogadoras". Dizendo ter agora mais de 200 assinaturas, o movimento garantiu ainda que "não se poderá rever, nem agora, nem nunca, num Sindicato cujo Presidente, nas tormentas das primeiras ondas, seja o primeiro a abandonar a embarcação"

Diogo Pombo

D.R.

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Inicialmente eram 132 jogadoras, agora dizem contar já com "mais de 200 assinaturas" e encaram "com naturalidade" o facto de, esta quarta-feira, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ter anunciado que a imposição de um limite de 550 mil euros para a massa salarial para as equipas de futebol feminino já não constará no Regulamento da Liga BPI para 2020/21. "Pena é que a FPF não alcance, ainda, a gravidade das suas intenções e a dimensão da perda de confiança que a defesa da desigualdade sempre acarreta", defendem.

Em comunicado, o movimento "Futebol Sem Género" lamentou, apesar de decisão, que "a FPF continue a entender que a imposição deste teto, somente aplicável ao futebol feminino, não encerre em si mesmo violações crassas dos direitos das jogadoras, em prejuízo do futebol em geral e do futebol feminino em particular, e que recue alegando o clima de intranquilidade gerado". Por isso, as jogadoras asseguram que vão "continuar alerta contra estas e outras violações".

As futebolistas dedicam algumas linhas a Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores em quem o movimento "não se poderá rever, nem agora, nem nunca", criticando-o por "nas tormentas das primeiras ondas seja o primeiro a abandonar a embarcação (se é que alguma vez lá esteve dentro) e, uma vez passado o 'Bojador', venha cantar 'aqui-d'el-rei' que aqui cheguei, tentando reescrever a História". Movimento, depois, menciona o que descreve como "o lado errado da História em que" o líder do Sindicato "se posicionou para granjear as boas graças da FPF".

Porque, argumentam, enquanto "umas afirmaram e defenderam as suas ideias, independentemente da 'intranquilidade' que as mesmas lhes poderiam provocar nas suas vidas profissionais e pessoais, outros houve que iam gerindo as suas opiniões e posições em função de outros valores que não os da defesa do que é ajuizado e acertado".

A 18 de junho, quando o movimento tornou público o protesto contra a medida proposta pela federação, Joaquim Evangelista disse, à "Lusa", que considerava "estranho" não ter sido contactado pelas jogadoras. No dia seguinte, o Sindicato partilhava a sua "convicção" de que a decisão não tinha sido "baseada em qualquer questão de discriminação de género", como acusaram as jogadoras, disse que "está e estará ao lado das jogadoras" e não "galopar uma onda mediática baseada numa ideia de discriminação de género".