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Da Alemanha, com amor por bolas nas costas: o Wolfsburgo é o primeiro finalista da Liga dos Campeões feminina

O Barcelona teve bastantes mais situações para poder marcar, mas o Wolfsburgo, numa jogada aos trambolhões, fez o único golo da primeira meia-final e agora ficará à espera do Lyon, ou do PSG, para saber quem vai defrontar na decisão da prova

Diogo Pombo

GABRIEL BOUYS/Getty

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Um corte falhado e uma jogadora na relva, um ressalto e uma jogadora confusa, a bola no ar e outra jogadora para a gravidade tomar no chão, após se erguer num pontapé de bicicleta que barrou noutra jogadora, esta imóvel em cima da linha de baliza, e outro ressalto a pedir um resgate. A sueca Fridolina Rolfö socorreu-a, dela foi o desvio para o 1-0 que, por fim, levou para as redes o bom jogo que Barcelona e Wolfsburgo estavam a partilhar.

A primeira meia-final da Liga dos Campeões feminina, cujo próprio formato de final eight foi acolhido por Espanha, teve uma catrefada de ingredientes do que faz uma receita saborosa para quem vê o jogo, embora necessariamente seja insonsa, até difícil de mastigar, para cada um dos treinadores: muitas jogadas a terem finalizações perigosas, ainda mais passes a encontrarem alguém nas costas das linhas defensivas e variadíssimas situações em que uma equipa apanha a outra em contrapé.

Na colisão de estilos, o Barcelona tentava entrelaçar o seu jogo de passes curtos e jogo apoiado, de metro em metro até chegar à área, e o Wolfsburgo, atraída a pressão alta das espanholas e não vendo hipóteses evidentes de se livrar dela com a bola na relva, lançava passes aéreos e diretos para tentar explorar a defesa subida das adversárias.

Até à espécie de trambolho que foi o golo do Woflsburgo, as oportunidades foram aparecendo de forma quase equitativa para as duas equipas. Depois, o tempo com bola do Barcelona aumentou, as jogadoras forçaram mais passes para dentro do bloco alemão, tentaram acelerar o ritmo dos passes e, aí sim, as chances para marcar translúcidas como a água da torneira num copo começaram a aparecer. E a ser desperdiçadas.

Oshoala, Jenni Hermoso (muito criou para a equipa), Mariona ou Bonmati foram tendo remates em plena área, viradas para a baliza, que ou falharam o alvo sem jeito ou foram intercetados por corpos nos quais parecia não haver forma de acertar. O Barcelona cresceu, o Wolfsburgo minguou para se proteger e entre as espanholas e alemãs, ambas tidas como prováveis finalistas no início da competição, o jogo acabou a ser a tentativa de massacre do Barcelona, fixando cinco jogadoras na última linha alemã e tentando levar bolas até lá.

As alemães não lograram lançar mais alguém na profundidade, preferirem guardar-se para guardarem a própria baliza, as poucas bolas que recuperaram e com as quais saíram em aparentes contra-ataques, foram guardadas em conduções lentas, para as lentas, ganhando tempo para ganharem o jogo e, dois anos depois, voltarem à final da Liga dos Campeões.

O adversário será francês e virá da meia-final (quarta-feira, 19h, E1) entre o Lyon, quádruplo campeão em série da prova, e o Paris Saint-Germain.