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Matilde Fidalgo

Matilde Fidalgo

Jogadora do SL Benfica

Matilde Fidalgo: “O nosso país é excelente na formação de futebolistas e mostrará o potencial do futebol feminino”

A Liga BPI, versão 2020/21, começa este fim de semana e Matilde Fidalgo, ex-jogadora do Manchester City e atual jogadora do Benfica (que defronta o A-dos-Francos, 14h, Canal 11), explica à Tribuna Expresso como é ser jogadora profissional e o que espera do futuro do futebol feminino em Portugal

Matilde Fidalgo

Matilde Fidalgo é jogadora profissional do Benfica

SLB

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Fico grata por ter este espaço para partilhar um pouco sobre a minha modalidade.

Neste momento, em Portugal, existem as seguintes competições femininas de futebol: Liga BPI, Taça de Portugal e Taça da Liga, Supertaça, Campeonato Nacional II e III Divisão, Taça Nacional de Promoção, fora as competições dos escalões sub-19, 15 e 13. Quis listar todas estas competições, porque são prova do crescimento vertiginoso do futebol feminino em Portugal.

Veio 2020 e a incontornável Covid-19 força uma alteração de formato no campeonato, ficando a primeira divisão com 20 equipas. O campeonato será dividido em duas séries, sul e norte, as quatro primeiras equipas de cada série irão disputar o apuramento de campeão e as restantes irão lutar pela manutenção na liga.

No ano passado estive em Inglaterra, e pude viver de perto a realidade do futebol inglês. Lá, a paixão e o apoio dados à modalidade são de domínio público e, o futebol feminino não é exceção. Não tendo a projeção, nem o desenvolvimento do masculino, a aposta deu frutos, e neste momento a liga inglesa caminha para ser a grande protagonista europeia, quiçá mundial, no futuro próximo.

Mais do que comparar as duas realidades, acredito que devemos olhar para a liga inglesa como um exemplo daquilo que o crescente investimento pode trazer, sem desprezar o muito que já foi feito.

Matt McNulty - Manchester City

Nos últimos 8 anos, o número de jogadoras federadas mais que dobrou, duas equipas portuguesas conseguiram ultrapassar o play-off e seguir para a Liga dos Campeões. A seleção portuguesa feminina qualificou-se para três fases finais de campeonatos europeus, nas categorias sub-17, sub-19 e sénior. Talvez estas ainda sejam marcas modestas para se fazer gala, mas são um reflexo de todo este processo evolutivo que se saúda.

Em 2010, com apenas 15 anos, comecei a jogar futebol, ingressando numa equipa sénior, porque, à semelhança da maioria, o clube não tinha escalões de formação femininos. Além disso, havia apenas a primeira divisão, a segunda e a Taça de Portugal.

Passaram 10 anos, e felizmente existe uma forte aposta na formação — a chave para o “negócio”! A entrada dos clubes ditos grandes em cena, a criação de novas competições e o regresso de muitas jogadoras que tinham ido à procura de mais competitividade para o exterior são excelentes indicadores.

No ano em que ingresso no meu clube do coração, tenho de assinalar a qualidade que já noto nas jovens que sonham alcançar o patamar sénior no Benfica. O futuro será por aqui. O nosso país é excelente na formação de futebolistas e mostrará, acredito, com impacto semelhante ao masculino, todo o potencial que o futebol feminino também tem!