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Futebol feminino

Da Rússia sem amor

Surgiu contra a corrente do jogo e como resultado de uma desatenção infeliz, mas o que fica no registo é o golo fortuito de Korovkina e a derrota de Portugal frente à Rússia na primeira mão do play-off de acesso ao Europeu Feminino de 2022

Tiago Oliveira

Korovkina marcou o golo que dá vantagem à Rússia

Getty Images

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Tudo ocorreu muito rapidamente e sem que nada o fizesse prever. Ora leia: Fedorova seguia pela direita quando lançou um balão na direção da grande área portuguesa, aparentemente sem direção, nem subtitleza. Só que bola que parecia perdida encaminhou-se, para surpesa da guardiã portuguesa, para a baliza. Apesar do susto, por um breve instante, Patrícia Morais, pensou que a bola tinha desviado (com ajuda da barra) a bola para fora e que o lance estava resolvido. Foi o suficiente para não se aperceber que a bola continuava em jogo e o tempo que Nelli Korovkina precisou para finalizar de cabeça e marcar para infelicidade da seleção portuguesa.

O tento bastou para dar à Rússia uma vitória por 1-0 na primeira mão do play-off de acesso ao Europeu Feminino de 2022 e deixar a equipa das quinas em desvantagem num jogo em que fica um amargo de boca, sobretudo após a excelente resposta dada na primeira parte, em que a defensiva adversária viu-se sob constante pressão.

Só com derrotas nos sete jogos que já tinha feito com a seleção russa, Portugal não partia como favorito para este jogo, mas o selecionador nacional, Francisco Neto, prometia na antevisão uma equipa pronta para lutar pela qualificação e repetir o feito de 2016, quando a seleção ultrapassou a Roménia no mesmo play-off de acesso.

Se a Rússia apresentava um novo treinador novo, Portugal também entrava em jogo com as ausências forçadas de Vanessa Marques, Diana Silva e Jéssica Silva motivada pelas restrições pandémicas de viagens, mas a seleção não acusou a falta de favoritismo. Antes pelo contrário.

Logo desde o primeiro minuto, a seleção lançou-se ao ataque e procurou pressionar a Rússia, com um futebol sempre em posse a apelar à técnica das jogadoras portuguesas. O mote foi dado logo aos 4 minutos, com Cláudia Neto a ganhar um livre muito perigoso à entrada da área. O remate saiu por cima, mas com a capitã a puxar os cordelinhos, a equipa das quinas criava oportunidades para abrir o marcador.

Menos fulgor

Se aos 16 minutos Smirnova teve uma boa chance de faturar, Tatiana Pinto respondeu de imediato e encheu o pé para uma defesa apertada de Elvira Todua, com Portugal a acentuar o seu domínio até final da primeira parte. Com apenas 18 anos e a cumprir a sua segunda internacionalização, Francisca Nazareth, impressionava na frente com os seus pormenores de classe enquanto a lateral Joana Marchão causava dificuldades com as suas arrancadas pela esquerda.

Mesmo a terminar os primeiros 45 minutos, Carolina Mendes desmarcou-se com oportunismo, só que falhou na cara do golo e perdeu a oportunidade de deixar Portugal em vantagem para a segunda parte. Com tudo empatado, as portuguesas entraram com a mesma atitude na segunda parte, mas o lance rocambolesco que abre este texto deixou a equipa em desvantagem e representou um golpe duro para a equipa, que não mais voltou a encontrar a mesma confiança que havia exibido ao longo da primeira parte.

Os ataques passaram a suceder-se com menos acutilância e coube à Rússia assumir mais o controlo do jogo, com Carole Costa a mostrar-se sempre atenta na defensiva portuguesa. Korovkina ainda viu o bis anulado por fora de jogo aos 65 minutos, e as russas estavam por cima, com a equipa das quinas a mostrar menos fulgor na hora de visar a equipa adversária. Destaque para a investida de Telma Encarnação (que entrou na segunda parte), já dentro dos 80 minutos que acabou por ser o último suspiro de perigo das portuguesas, que apesar, das tentativas de pressão e das mexidas ofensivas a partir do banco, acabaram por não conseguir marcar o golo do empate.

No final, vitória da Rússia que leva uma vantagem de um golo para a segunda mão do play-off que se realiza em Moscovo já na próxima terça-feira, 13 de abril, às 15h. A acreditar no que se viu da seleção portuguesa, sobretudo na primeira parte, está longe de estar perdido.