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Futebol feminino

Trinity é filha de Dennis Rodman e marcou na estreia na liga norte-americana de futebol. Na primeira vez que tocou na bola

Aos 18 anos, Trinity Rodman está a fazer história no futebol feminino: em poucos meses tornou-se na mais jovem atleta a ser escolhida no draft da National Women's Soccer League, a principal liga de futebol feminino do país, e no fim de semana marcou na estreia e logo na primeira vez que a bola lhe chegou aos pés. A filha mais nova de Dennis Rodman, um dos melhores defensores da história da NBA, tem os genes do pai, mas garante que a grande influência vem da mãe, Michelle

Lídia Paralta Gomes

Brad Smith/ISI Photos/Getty

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É daquelas histórias que valem por si. Uma jovem de 18 anos, a fazer o seu primeiro jogo como profissional na National Women’s Soccer League (NWSL), o principal campeonato norte-americano de futebol feminino, e a marcar na primeira vez que toca na bola.

Assim foi a estreia de Trinity Rodman, no último sábado. Entrou já na 2.ª parte para a frente de ataque das Washington Spirit no jogo com as North Carolina Courage. Aos 60 minutos recebeu um passe longo vindo da defesa, desmarcou-se, controlou bem a bola e, com toda a frieza do mundo, marcou, tornando-se na mais jovem jogadora norte-americana a fazer um golo na NWSL.

Trinity Rodman, que já tinha feito história ao ser a mais nova de sempre a ser escolhida no draft da NWSL (foi a 2.ª escolha no último draft), ganhou assim por direito próprio um lugar nos livros, mas o sobrenome não engana: ela é filha de Dennis Rodman, o cinco vezes campeão da NBA e um dos sargentos de Michael Jordan no segundo three-peat dos Chicago Bulls, entre 1996 e 1998.

Ao contrário do pai, um dos melhores defensores da história da NBA - e também uma das suas mais interessantes e tresloucadas personagens -, Trinity faz o seu trabalho em frente à baliza: é avançada e desde cedo se mostrou nas seleções jovens dos Estados Unidos. Participou no Mundial sub-17 e só não foi ao de sub-20 porque este foi cancelado devido à covid-19. Na qualificação tinha marcado oito golos e oferecido seis assistências.

Mas talvez tenha sido a pandemia a acelerar um pouco as coisas na carreira de Trinity. A jovem aceitou uma bolsa para jogar na Universidade de Washington State no ano passado, mas acabou por não fazer qualquer minuto na equipa, já que a época nem sequer arrancou. Optou por seguir logo para o profissionalismo. Que, diga-se, começou muito bem, ainda que o seu golo não tenha sido suficiente para evitar a derrota das Spirit no primeiro jogo da nova temporada.

Logo após o draft, em janeiro, Trinity falou da importância da influencia do pai. “Foi um atleta fantástico e estes genes vêm dele”, disse então. Mas logo sublinhou o seu desejo de construir o seu próprio caminho. “Estou entusiasmada por ser conhecida como Trinity Rodman e não como a filha do Dennis Rodman”.

Já este mês, numa entrevista ao “The Guardian”, Trinity confessou que o peso da linhagem a ajudou a esforçar-se mais para ser reconhecida individualmente e não como apenas um nome.

“Mais do que dizer ‘isto é irritante, nem sequer tenho um nome’, o meu pensamento foi sempre de ‘vou mostrar a estas pessoas que sou única e vou crescer no futebol como ele fez no basquetebol’. Acho que isso me tornou mais focada”, disse a atleta, que ainda tentou o desporto do pai, mais até por influência do irmão mais velho, jogador na mesma Universidade de Washington State onde Trinity chegou a estar inscrita. Mas era mesmo com os pés que tinha mais jeito.

A importância da mãe

Como tudo em Dennis Rodman, não se pode dizer que a relação pai e filha tenha sido muito ortodoxa. Trinity é filha do terceiro casamento do duas vezes defesa do ano na NBA, com Michelle Moyer. Os dois casaram-se em 2003, já depois do nascimento de DJ e Trinity mas, de acordo com o “LA Times”, nunca viveram juntos - Michelle e os filhos viviam numa casa a poucos quilómetros da de Dennis Rodman, na zona de Newport Beach, na Califórnia, e a família apenas se reunia aos fins de semana.

Trinity Rodman destacou-se nas seleções sub-17 e sub-20 dos Estados Unidos

Trinity Rodman destacou-se nas seleções sub-17 e sub-20 dos Estados Unidos

Maddie Meyer - FIFA/Getty

Michelle pediu o divórcio em 2004, mas oficialmente ele só aconteceria em 2012, numa altura em que o antigo jogador devia centenas de milhares de euros de pensão de alimentos aos filhos. Ainda assim, a família manteve sempre uma boa relação.

Mas talvez por isso, e numa altura em que toda a gente lhe pergunta pelo pai, Trinity faz questão de sublinhar o papel da mãe no seu caminho até se tornar jogadora de futebol profissional.

“Por ser filha de quem sou, ninguém me pergunta pela minha mãe, porque obviamente ela não é uma estrela da NBA. Mas gostava que as pessoas soubessem que ela é a minha rede em tudo o que eu faço na vida, a minha melhor amiga, o meu porto seguro”, disse Trinity ao “The Guardian”, caracterizando a mãe como uma mulher “muito forte, super competitiva e focada”, mesmo não se tratando de uma atleta.

Voltando ao campo, que é onde Trinity Rodman quer ser conhecida, a atacante já sabe que sensações quer deixar em todos aqueles que a verão jogar daqui para a frente, quem sabe um dia na seleção principal dos Estados Unidos, atual campeã mundial.

“Quero que as pessoas olhem para a Trinity Rodman como alguém que é imprevisível com a bola, alguém que nunca se sabe o que vai fazer a seguir”, frisou.

O próximo capítulo da história de Trinity, a futebolista, e não Trinity, a filha de Dennis Rodman, será escrito já na sexta-feira, quando as Washington Spirit receberem o Racing Louisville FC para mais uma jornada da NWSL.