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Futebol feminino

Khalida Popal, antiga capitã do Afeganistão, apela às jogadoras do país: “Eliminem as redes sociais e fotografias, fujam e escondam-se”

Durante anos lutou pela liberdade para as mulheres afegãs que tinham o sonho de jogar futebol. Atualmente, já sem esperança, vê-se obrigada a dizer-lhes que parem de o fazer para que não corram risco de vida no país, que foi tomado pelos talibãs

Rita Meireles

DANIEL LEAL-OLIVAS

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Khalida Popal é uma das caras do movimento que pretendia dar voz às mulheres do Afeganistão através do futebol. Trabalhou com o objetivo de que as próximas gerações se sentissem empoderadas e não tivessem que viver num país onde são tratadas como inferiores. Em 2007, chegou mesmo a fazer parte da primeira seleção de futebol feminina do Afeganistão.

Mas, atualmente, quando contactada pelas atuais jogadoras do seu país de origem, as circunstâncias obrigam-na passar outra mensagem. “Eliminem as páginas nas redes sociais, fotografias, fujam e escondam-se”, disse em declarações à "Associated Press". Horas depois, à "Reuters", acrescentou que até lhes diz para “queimarem e se livrarem do equipamento da seleção nacional”.

“E isso [enviar essa mensagem] é doloroso para mim, para alguém ativista que se levantou e fez o possível para alcançar e ganhar essa identidade de jogadora da equipa nacional feminina”, explicou à Reuters.

Atualmente a viver em Copenhaga, capital da Dinamarca, depois de ter fugido do seu país devido às constantes ameaças que recebia, Popal conta que as mulheres afegãs estão “com medo, preocupadas, assustadas” e fala não só das jogadoras, mas também das ativistas. “Elas não têm ninguém a quem recorrer, a quem pedir proteção, pedir ajuda se estiverem em perigo”.

Sem sinais de qualquer esperança, Popal considera que aquilo a que o mundo está a assistir é “um país a colapsar”.

Um porta-voz da FIFA já reagiu à situação e, quando contactado pela "Reuters", afirmou que a organização partilha “preocupação e simpatia com todas as pessoas afetadas pela evolução da situação”. Além disso, garantiu que já entraram em contacto com a Federação de Futebol Afegã e irão continuar a acompanhar a situação.

O Afeganistão caiu nas mãos dos talibãs após a retirada das tropas norte-americanas do território e a situação ficou rapidamente fora de controlo.

O grupo já fez saber que respeitarão os direitos das mulheres, dentro das regras da lei islâmica. Sendo que na última vez que chegaram ao poder, em 1996, essas regras passavam pela proibição de atividades profissionais para mulheres, da escola ou prática desportiva para raparigas ou a obrigatoriedade da burca e do acompanhamento de um homem para que a mulher possa sair de casa.