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Futebol feminino

Os talibãs “andam a bater de porta a porta” e as afegãs que jogam futebol “não podem confiar em ninguém”

Shabnam Mobarez, capitã da equipa, e Haley Carter, ex-treinadora-adjunta da seleção feminina do Afeganistão, contam como as jogadoras no país tiveram de fugir de casa para se esconderem dos talibãs

Diogo Pombo

Haley Carter, ex-treinadora-adjunta da seleção feminina do Afeganistão, pede que não se publiquem fotos das jogadoras

D.R.

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Shabnam Mobarez está em Nova Jérsia, nos EUA. A manhã acabou de abrir a pestana e ouve-se um bebé, ocasionalmente, a entrar pela chamada. São cerca das 7h quando atende o Expresso, o equivalente às 16h em Cabul, de onde, todos os dias, ouve sons de tristeza, desespero e agonia a chegaram-lhe via telefonemas ou mensagens de áudio do WhatsApp. “Quando falo com elas, choram e temem pelas suas vidas. Não lhes posso dizer que vai ficar tudo bem, porque não tenho quaisquer certezas sobre o que vai acontecer amanhã, ou daqui a uma semana”, lamenta, anormalmente calma.

Porque “elas”, de quem fala, são as jogadoras da seleção de futebol feminino do Afeganistão que costumava capitanear e dizer-lhes, em tempos, que iriam “ultrapassar tudo juntas”. Agora, “é desolador” cada vez que o telemóvel a liga ao seu país com o relato de alguma das mulheres com quem jogou. Todas “estão escondidas” em casas de “familiares ou amigos” sem revelarem a identidade, porque “os talibãs já sabiam as suas moradas”. Shabnam Mobarez não faz ideia de como, mas “adoraria poder ajudá-las”, porém, neste momento, “a situação é tão tensa que poderão ser mortas se saírem de casa”. Em questão de dias, o Afeganistão retrocedeu décadas com a retirada gradual dos militares americanos, que será total a partir de 31 de agosto.

Ser mulher, querer ter uma bola nos pés e ousar jogar futebol — ou praticar desporto — no país era apenas pensável entre 1996 e 2001, quando os EUA invadiram o Afeganistão e, aos poucos, foram descolando as trepadeiras dos hábitos talibãs que governaram durante esse período: as mulheres, por exemplo, não podiam ir à escola, tinham de vestir burqas e não estavam autorizadas a trabalhar. Aos poucos, nos últimos 20 anos, esta aplicação da lei islâmica na sociedade afegã foi sendo suavizada, e o futebol, como tantas outras coisas, beneficiou das mudanças nas raízes extremistas. A ciclista Robina Muqimyar e a judoca Fariba Rezayee foram, em 2004, em Atenas, as primeiras mulheres afegãs a competirem nos Jogos Olímpicos.

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