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Futebol feminino

Carli Lloyd começou a dizer adeus com um aceno de mão cheia

A americana marcou cinco golos contra o Paraguai, no primeiro de quatro jogos de uma mini-tour que a seleção feminina dos EUA fará pelo país, em parte, para marcar a despedida de Carli Lloyd. Aos 39 anos, a vencedora de dois Mundiais vai retirar-se

Diogo Pombo

Icon Sportswire

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É piada costumeira referir como músculo do adeus aquela parte de carne que fica pendurada na parte inferior do braço, quando alguém o ergue para abanar a mão e salutar outro alguém ou, mais frequentemente, para acenar em despedida. Esse agitar da anatomia não é sinal de idade, na verdade é sinal de nada e Carli Lloyd ajudou a prová-lo.

A americana de 39 anos tinha todos os músculos do corpo em modo-adeus desde agosto, quando revelou estar prestes a sucumbir ao jogo da apanhada com o tempo. A avançado e uma das capitãs da seleção dos EUA, conquistadora de dois Mundiais, anunciou a iminente retirada. Uma lenda estava prestes a ir embora.

A despedida nunca seria apenas escrita, coisa de mero comunicado. A Federação Norte-Americana de Futebol Feminino logo organizou uma série de quatro jogos particulares no país, contra seleções de nível posto a jeito para serem derrotadas pelos EUA sem grandes alaridos. A ideia subjacente parece sempre seja recebido em apoteose em qualquer estádio.

E, assim, as primeiras adversárias foram as frágeis paraguaias.

Nem três minutos durou a que os cruzamentos começassem a ser bombeados para o quintal da sua baliza, onde está outro retângulo mais pequeno que tem o código postal de uma das melhores jogadoras de sempre. E nem com a sua despedida já em curso ela deixou de ser o que é — uma goleadora.

Carli Lloyd fez três golos com os pés e dois com a cabeça, todos dentro da pequena área ou estando a pisar-lhe as fronteiras. Os EUA ganhariam por 8-0 no primeiro de dois encontros frente ao Paraguai (seguir-se-ão outros dois contra a Coreia do Sul) e, no final, até as jogadoras paraguaias insistiram em pousar, à vez, para a fotografia ao lado da americana que lhes marcara a quintuplicar.

Com esta façanha, Carli Lloyd chegou à terceira posição no ranking de melhores marcadoras (133 golos) na história da seleção americana, bicampeã mundial que continuará a desfilar pelo país com o seu recorde absurdo (59 partidas sem perder) e a abanar uma grandeza em pessoa que está a findar.