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Futebol feminino

Como fazia Sarina Wiegman, selecionadora inglesa, para poder jogar futebol em miúda? Fingia que era um rapaz

A atual selecionadora de Inglaterra e antiga campeã europeia pelos Países Baixos admitiu que, em criança, não existiam equipas de futebol feminino, nem era permitido que raparigas jogassem com rapazes, portanto, decidiu fazer-se passar por um. Sarina Wiegman tinha um irmão gémeo e o seu 'disfarce' nunca foi descoberto

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Andrew Matthews - PA Images

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Sarina Wiegman tem 51 anos e teve a infância neste mundo, mas noutros tempos para as mulheres. Sempre achou piada a futebol, cedo limou o jeito para o jogar e, em criança, quis praticá-lo mais a sério na idade em que é suposto começarmos a testar-nos contra outros e outras. Ela quis jogar um pouco mais a sério, só que não era possível.

Em Haia, o clube local onde Sarina espreitou não tinha uma equipa feminina, nem autorizava que raparigas se juntassem aos rapazes. Uns juntarem-se a outros no mesmo campo é "hoje simplesmente normal", reconheceu a selecionadora de Inglaterra, em conversa na rádio da "BBC", mas, naquela altura, "não era". Wiegman, então, teve de ser criativa.

Usufruiu do facto de ter "cabelo muito curto" e de "parecer um pouco rapaz" para apostar num estratagema — fazer-se passar um. "Os meus pais estavam ok com a ideia e tinha um irmão gémeo, por isso comecei a jogar e toda a gente concordou", contou. O esquema resultou e Sarina Wiegman começou a jogar um pouco mais a sério.

Já adulta, a holandesa acumularia mais de 100 internacionalizações pelo seu país, passando depois a treinadora. Em 2017, conquistou o Europeu de futebol feminino com os Países Baixos e nesse ano foi eleita a Treinadora do Ano pela FIFA. Ainda levaria o seu país à final do Mundial de 2019, onde foram derrotadas pelas poderosas americanas, antes de, no verão de 2020, assumi o cargo de selecionadora de Inglaterra.

Olhando para trás, Sarina Wiegman congratula como "é incrível" que "sejas rapaz ou rapariga, possas jogar futebol", falando do quão "louco era antes", quando não se podia. Em Portugal, por exemplo, desde 2015 que podem existir equipas mistas no futebol e no futsal até ao escalão de juvenis.

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    Sarina Wiegman tem 48 anos e lidera a seleção feminina da Holanda há pouco mais de um ano, tempo suficiente para conquistar o Europeu, pela primeira vez na história, e deixar o país em êxtase com uma forma de jogar que fez jus à tradição do futebol holandês. "O primeiro objetivo é ganhar, mas para ganhar temos de jogar bem. Prefiro ganhar 4-2 do quer 2-0. É muito melhor para o público, especialmente no futebol feminino, porque ainda temos de conquistar os adeptos. Não podemos simplesmente ficar em frente à área a defender", diz a treinadora que não sabia que podia sê-lo: "Desde muito nova, sabia que queria ser professora de educação física. Treinadora não, porque as mulheres não eram treinadoras naquela altura"