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Futebol feminino

Brenda Pérez: “A mente trabalha melhor numa rotina do que no caos”

Aos 28 anos, a espanhola Brenda Pérez vive a primeira experiência no estrangeiro, e não está a correr nada mal, depois dos golos ao Benfica e da conquista da Supertaça. Em tempos, num programa de televisão, mascarou-se de rapaz para combater o machismo e os estereótipos no futebol. "Está melhor hoje, são conscientes de que é um desporto de miúdos e miúdas"

Hugo Tavares da Silva

Nuno Botelho

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Chegou este ano ao Sporting - onde joga o amigo Pablo Sarabia, que conheceu nas seleções jovens de Espanha - e pediu um número para a camisola que nunca tinha usado para não dar sorte nem azar, afinal história nova, número novo. A vida da outrora muitíssimo supersticiosa Brenda Pérez em Alcochete começou como um conto de fadas, com a conquista da Supertaça e dois golos nos dois jogos contra o Benfica. O ano passado, no Espanyol de Barcelona, chegou a pensar deixar de jogar, não estava feliz e não se sentia ela mesma. Em conversa com a Tribuna Expresso, a espanhola, natural de Badalona, fala sobre a "raiva interior" que alguns miúdos sentiam por ela jogar melhor do que eles, reflete sobre a importância do futsal e da sua mentalidade na carreira e revela ainda porque festeja os golos apontando para o céu.

Marcaste dois golos ao Benfica. É esse o plano, marcar em todos os jogos ao Benfica?
Bueno, o meu plano é marcar em todos os jogos que puder, não só contra o Benfica, mas contra elas já sabemos que é especial. Foram dois golos, não me posso queixar [risos].

Foram golos muito diferentes. Como és no relvado, muito instintiva ou sempre a analisar e identificar os espaços? Vejo-te a girar o pescoço muitas vezes.
Sim, na verdade sempre me caracterizou muito a minha visão de jogo, mas também é verdade que estou a todo o momento a observar. Sou intuitiva, mas também vou analisando sempre o que se passa no jogo, onde estão as minhas companheiras, onde está o rival e é algo com que cresci. Vejo os meus jogos depois, gravados, analiso-me e é verdade que passo o jogo todo como dizes, a girar o pescoço. Mas creio que é algo muito importante num centrocampista porque vês quem tens à volta, podes decidir antes que chegue a bola, assim não atrasas o jogo, é algo importante.

Que erros identificas quando vês os jogos?
Ui, muitos! [risos] Ainda que as pessoas fiquem sempre com o bom, eu costumo ficar com o que não é bom, porque gosto sempre de melhorar. Trabalho para melhorar todos os dias, para deixar de ter essas falhas. Contra o Benfica, neste último jogo, tive bastantes erros que não devia ter tido, sobretudo passes fáceis de frente, que ficavam curtos, por exemplo. São coisas que podem acontecer, não importa, no final a atitude é o que me leva a poder sobrepor-me a tudo isto. Não me importa falhar um passe porque a seguir penso que vou fazer melhor, tenho uma mentalidade muito positiva nesse sentido. Mas é verdade que, depois de ver os jogos, analiso-me, irrito-me e tento melhorar sempre, nos treinos e nos jogos.

É um erro técnico, não é conceptual.
Sim, sim! No conceptual pode ser ter de fechar um pouco mais ou tentar bascular um pouco mais com a equipa. Fico com isto tudo para tentar melhorar no jogo seguinte.

Como têm sido os primeiros tempos em Lisboa?
Estou muito contente. Se tenho que sonhar, é muito difícil pensar que vai ser sempre assim. Não me posso queixar. Estou muito feliz por estar aqui, receberam-me muito bem, tanto companheiras e clube como a afición. É o que tento demonstrar-lhes, que estou aqui para ganhar coisas, títulos, e ajudar.

Que música cantaste na praxe no jantar de equipa?
Ai, qual é que cantei... Não cantei, dancei, se não me engano. Era em grupo e creio que era a "Dale a tu cuerpo alegría Macarena" [faz a dança com os braços e gargalha].

Os treinos são semelhantes ao que fazias em Espanha ou há algumas diferenças?
São bastante parecidos. É verdade que aqui fazemos mais campo grande, os exercícios são mais amplos, por assim dizer. Em todo o campo, metade do campo. Lá era tudo um pouco mais reduzido, mas a verdade é que gosto muito do treino que fazemos aqui, é muito competitivo, tem sempre um porquê face ao jogo, face ao rival, e como devemos trabalhar para o mesmo para sacar o melhor rendimento. Creio que é algo muito bom.

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